Nunca é tarde demais para se apaixonar por uma franquia da Nintendo

Eu sempre gostei de games. Desde que ganhei meu primeiro console, aos quatro anos com meu Master System e me divertia com a velocidade de Sonic durante horas, eu sabia que o mundo dos jogos era especial. Apesar disso, minha adolescência foi um grande hiato em relação a isso. Enquanto eu me dedicava quase exclusivamente à leitura e filmes, o mundo dos games ficava esquecido e, de vez em quando, me aventurava em algum jogo de forma bem casual.

Somente anos mais tarde retomei meu contato com esse universo tão divertido e fascinante. E, consequentemente, descobri franquias famosas pelas quais eu iria me apaixonar rapidamente. Eu aprendi que sempre existe uma princesa para ser salva, um reino para proteger e sempre um nova batalha Pokémon para enfrentar. O melhor de tudo isso? Descobrir que nunca é tarde para conhecer uma franquia de games e se tornar um fã dela.

Como muitos outros, meu primeiro contato com a Nintendo foi através de seu ícone mais famoso, nosso querido encanador bigodudo: Mario. Me lembro que quando criança eu devo ter visto alguns episódios daquele esdrúxulo desenho do Mario e sua turma, mas a memória mais marcante é do meu vizinho que tinha um Super Nintendo. Na época, eu apenas possuía um singelo Master System e ainda me divertia em ficar jogando Sonic e Castle of Illusion várias vezes.

Mas uma vez a mãe do meu vizinho me convidou pra brincar com ele e, obviamente, eu fiquei todo animado para conhecer seu novo videogame. Uma pena que o menino era um pouco egoísta e, tendo apenas um controle, decidiu que eu ia ficar apenas assistindo ele jogar. Mesmo assim, de cara amarrada, bastaram alguns segundos vendo a jogatina de Super Mario World para eu me fascinar por aquele jogo tão divertido, colorido e incrível.

Fiquei com aquele gostinho de “quero mais” durante algum tempo. Mas bons livros e filmes (e algumas jogatinas ocasionais no Mega Drive com Sonic 2) se encarregaram de suprir minhas necessidades de entretenimento. Depois dessa primeira experiência, meu próximo contato com o simpático encanador apenas aconteceu alguns anos mais tarde, quando, em plena 6ª geração de consoles, meu pai me trouxe um Super Nintendo junto com alguns cartuchos.

Aquele foi um dia feliz! Alguns dos títulos eram incríveis, como Final Fight 3, Killer Instinct e Battletoads, mas o jogo que mais atraiu meu interesse foi um cartucho meio velho e manchado que tinha uma etiqueta escrita “Mario”. Ao inseri-lo no console (depois de algumas boas sopradas), vi que se tratava de Super Mario World! Que alegria! Meu olhos brilhavam enquanto eu finalmente conseguia jogar aquele jogo fantástico e me divertia. Apesar de um azar do destino de o cartucho ser pirata e não permitir que eu salvasse meu progresso, isso me ajudou a conquistar várias horas de jogatina (e praticamente decorar cada cantinho de cada nível).

Foram anos maravilhosos me divertindo com meu Super Nintendo, até que voltei meus olhos para o PC e fiquei afastado do mundo dos consoles por algum tempo novamente. Até que, alguns anos atrás, em 2011, ganhei um Wii. Fazia tanto tempo que eu não utilizava um controle que fiquei até com medo de ter desaprendido (ainda mais com o Wiimote, que parecia tão estranho para mim), mas é como andar de bicicleta, a gente nunca esquece.

E minhas memórias do encanador foram revividas com uma nostalgia fantasticamente boa e me encantei mais uma vez com a franquia de Mario quando comecei a jogar Super Mario Galaxy 2. Curiosamente comecei pelo segundo título da série, pois o havia pego em uma promoção. Mesmo assim, o jogo era incrivelmente belo e divertido e nunca pensei que Mario poderia se aventurar de uma maneira tão fantástica e inusitada pelo espaço. Dali em diante, meu gosto pelos jogos do encanador apenas aumentaram e a fila de títulos do bigodudo para jogar só cresce, até hoje. Entre alguns que ainda quero jogar estão Super Mario 64, a série Paper Mario e descobrir se aprendo level design com minhas fases bizarras em Super Mario Maker.

Antes que eu retornasse ao mundo da Nintendo com meu Wii, eu não conhecia a história de Zelda. Digo “Zelda” porque, sim, eu era um daqueles que acreditava que Link era Zelda. Eu sei, eu sei. Que uma chuva de cuccos irritados caia em cima de mim por cometer esse sacrilégio! Mas errar é humano, não é mesmo? Bem, como eu nunca havia jogado nenhum jogo de Link, (nenhum mesmo! eu já tinha visto imagens de Ocarina of Time em revistas na minha infância, mas nunca havia chegado perto de um Nintendo 64) eu sabia que estava mais do que na hora de corrigir essa falha. Como era 2011, um novo jogo da franquia já havia sido anunciado para o lançamento no final do mesmo ano.

Se tratava de Skyward Sword. Eu ouvi muitos amigos dizerem que não era uma boa opção começar a jogar uma franquia pelo seu título mais recente (ainda mais se tratando de Zelda), mas mesmo assim resolvi arriscar. E admito: foi uma das melhores decisões que já tomei em relação a games.

Caramba! Esse jogo me conquistou! Me apaixonei pelo jogo em questão de minutos. Nunca havia vivido uma experiência eletrônica tão incrível e poder utilizar os movimentos do Wiimote para mover a espada de Link tornou tudo ainda mais realista e fantástico. A história me cativou e, quando tudo terminou, fiquei imaginando que, se todos os jogos da franquia eram similares a esse, como pude ficar tanto tempo sem conhecer esse game? Eu estava disposto a recuperar o tempo perdido! Aproveitei uma promoção e comprei Twilight Princess.

Infelizmente, apesar de ter gostado muito do game e da divertida Midna, o jogo não me cativou da mesma forma (será que foram aquelas crianças bizarras do início do game que me traumatizaram?). Pelo menos já consegui me divertir com vários outros títulos da franquia quando comprei meu Nintendo 3DS, em 2012. Finalmente pude jogar Ocarina of Time e não acredito que alguém tenha se sentido tão triste quanto eu quando terminei o jogo. Mas minha tristeza não foi apenas por aquela aventura fantástica recheada de aventuras e músicas ter terminado, mas porque eu não havia jogado o jogo anos atrás, quando ele estava no auge do sucesso e ter me maravilhado mais cedo.

Viver a jornada de Link em Ocarina of Time foi inesquecível! Mas o atraso em jogar as aventuras de Link só conseguiu fazer minha paixão pela franquia aumentar quando comecei a conhecer mais os games. Por mais que a aventura pudesse ser frustrante ao se enfrentar um inimigo difícil ou quebrar a cabeça para resolver um puzzle, a recompensa que me esperava sempre no final de cada dungeon tornava tudo aquilo ainda mais gratificante.

Tive horas incríveis acompanhando as jornadas de Link em outros títulos do Nintendo DS como Phantom Hourglass, Spirit Tracks e conhecendo um dos games mais divertidos e belos que já joguei em um portátil: A Link Between Worlds. Mesmo experimentando no Virtual Console do Wii, foi no 3DS que tive a oportunidade de jogar o famoso Majora’s Mask e me apaixonar por essa história bela e bizarra. Mas mesmo depois de ter jogado quase todos principais games da série, vai ser difícil algum deles superar a mágica que foi me aventurar pelo incrível mundo de Breath of the Wild (apesar de eu ter um carinho muito especial por The Wind Waker e sua emociante trilha sonora).

Uma coisa que é importante saberem é que eu vivi a febre Pokémon. Assistia ao anime todos os dias e sabia de cor todos os 151 Pokémon. Cheguei a fazer meus pais comprarem inúmeros pacotes de salgadinhos para completar a coleção de Tazos da Elma Chips (e sim, eu consegui completar!) Pode-se dizer que eu era viciado em Pokémon. Só tinha um problema nisso (além do vício, claro): eu nunca havia jogado nenhum jogo dos monstrinhos. Nenhum mesmo.

Eu passei pela época em que Pokémon viveu seu apogeu sem nunca ter experimentado a captura de um monstrinho no Game Boy. Isso se deveu a dois motivos. Primeiro, meu quase total desconhecimento sobre as plataformas portáteis da Nintendo naquela época. Segundo, eu nem sabia que existiam jogos de Pokémon além daqueles das cartas. Sim, eu nunca tive um Game Boy, ou Game Boy Color, muito menos Game Boy Advance. O máximo que tive foi um daqueles portáteis que você comprava no camelô para jogar Snake.

Pokémon Red? Nunca tinha ouvido falar. Para mim, só existia o anime (que depois começou a parecer muito idiota para mim).À medida que fui ficando mais velho, acabei concluindo que Pokémon era muito idiota. Até sentia vergonha por meu vício na infância, mas eu sempre me perdoava porque, afinal, eu era criança. E crianças gostam de coisas idiotas. Felizmente, acabei mudando de opinião radicalmente em um ponto da minha juventude no qual pensei que nunca mais ouviria falar sobre os monstrinhos de bolso japoneses.

Quando meu 3DS chegou, no final de 2012, o primeiro game que comprei para estreá-lo foi Ocarina of Time 3D. Uma ótima escolha. Mas quando ficava imaginando o que mais poderia jogar, um jogo sempre saía da boca de meus amigos. “Pokémon, pokémon… Pokémon!”. Eu ficava receoso, pensando que aquilo era coisa de moleque e seria muito estúpido jogar. Mas minha curiosidade falou mais alto e decidi aproveitar uma promoção e comprei Pokémon Black e Pokémon Black 2 juntos. O que poderia acontecer de pior, o jogo ficar pegando poeira em uma gaveta e eu perder uns tostões? Ah, como eu estava errado! Admito que bastou menos de meia hora de jogo para mudar minha opinião radicalmente.

Acredito que nunca consegui juntar mais de 200 horas em dois jogos de forma tão rápida quanto em Pokémon. Eu simplesmente não conseguia entender como uma ideia de jogo tão simples pudesse ser tão divertida, genial e viciante. Quando me dei conta, estava vibrando a cada batalha vencida e a cada novo Pokémon que capturava ou um companheiro que conseguia evoluir.

Meu interesse pela franquia cresceu tanto que nem sequer titubei quando Pokémon X/Y foi lançando e corri para garantir o meu logo no lançamento. Minha fascinação pela série continua só aumentando e, enquanto Pokémon Soulsilver continua sendo meu título preferido da franquia, estou aguardando ansiosamente as aventurar que irei viver (e se vou conseguir completar a Pokédex, claro) quando eu puder visitar Galar em Pokémon Sword.

Talvez tenha sido por falta de interesse ou por falta de dinheiro ou mesmo porque me afundei na biblioteca dos meus pais muito cedo, mas a verdade é que minha relação profunda com os games começou tarde. Isso é ruim? Pode ser para aqueles que acreditam que “tudo tem o seu tempo”, mas eu digo que isso é altamente questionável. Posso afirmar que fiquei maravilhado quando joguei Zelda pela primeira vez, há pouco tempo, da mesma maneira que teria ficado se tivesse sido na minha infância. Posso até dizer que meu maravilhamento foi maior porque com minha mente amadurecida posso apreciar mais detalhes da história que passam despercebidos para algumas crianças.

E apesar de tanto atraso para conhecer esses games maravilhosos, sinto que nunca é tarde para conhecer uma nova história ou aventura eletrônica. Ainda existem muitas outras franquias da Big N que quero conhecer como Kirby, Donkey Kong e Metroid. Eu já tenho alguns títulos delas, mas ainda não me aventurei neles. Mas eu sei que em breve eu irei jogá-los. Não tenho dúvida de que esses jogos, e tantos outros da Nintendo que eu passei a conhecer, me ensinaram e continuarão me proporcionando momentos fantásticos e sensações que pensei que nunca poderia sentir por uma história, um personagem ou por uma aventura criada bit a bit.

Revisão: Angelo Mota

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