REVIEW | A corrente invisível entre o bem e o mal de ASTRAL CHAIN

O relacionamento da PlatinumGames com a Nintendo sempre gerou frutos muito bons, inclusive em situações obscuras quando, em um de seus piores momentos, no Wii U, a Big N decidiu investir no projeto abandonado de Bayonetta 2 e trouxe nossa bruxa favorita para seu console, e a própria Platinum decidiu investir no console criado o fantástico The Wonderful 101.

Se toda essa preocupação já existia em um momento de vacas magras, agora que a Nintendo está vivendo seu melhor momento com o Switch, receber material da Platinum era mais do que importante e necessário, porque é uma empresa em que a gente aposta nos projetos apenas por existirem, atestando a qualidade pelo simples fato de ser um jogo com o selo PlatinumGames.

E Astral Chain tem o selo e a qualidade.

O jogo foi anunciado no Nintendo Direct de fevereiro, e chegou ao console no no último dia 30, trazendo um momentum muito bom para o projeto, aproximando seu anúncio do lançamento, criando aquele hype gostoso de acompanhar.

A INCANSÁVEL LUTA PELA HUMANIDADE

O jogo conta a história de uma humanidade que está assolada por uma invasão causada por criaturas chamadas de Chimeras, e precisou, de algum jeito, evoluir em sua forma de agir para poder combater essas criaturas, e também o crime. Então você acompanha um grupo de policiais que utilizam Legions como ajudantes no combate ao crime. Legions, nada mais são, do que Chimeras criadas em laboratório e controladas para agir a favor de seu companheiro humano, e são controlados [escravizadas] por uma corrente astral que os mantêm em segurança, e controla seus comandos, daí o nome do jogo: Astral Chain.

Sem entrar em muitos detalhes para não estragar a experiência de quem ainda não jogou, Astral Chain segue um casal de gêmeos que acabam de entrar para a força, e precisam descobrir a origem do aparecimento de diversas chimeras que estão saindo dos portais criados pelas criaturas para dominar todo o planeta, e seu trabalho é impedir que essa invasão fuja do controle. A história é interessante e tem um desenvolvimento em um ritmo satisfatório em cada um dos capítulos. Mesmo que alguns plot twists sejam previsíveis, nunca deixa a desejar, entregando aos poucos sua trama, e mantendo o jogador interessado no que vem a seguir.

Os personagens são carismáticos e muito diversificados. E o seu personagem, que você escolhe para jogar [no começo você tem que escolher entre o homem ou a mulher do casal de gêmeos], não possui falas, fazendo com que o outro se transforme em um belo de um tagarela durante sua jornada juntos. Mas as personalidades fazem com que cada um deles, dos principais aos NPCs que só possuem diálogos escritos, possuam um background interessante para construir a história do jogo.

SEJA O SEU MELHOR

A construção do mundo se dá a partir de uma base de operações, onde o jogo começa e de onde você parte para cada uma das missões, e a partir dali você explora os mais diversos cenários, como a cidade principal do jogo [Central City], laboratórios e outras instalações. As missões são longas, e possuem sub-missões paralelas opcionais, que são indicadas em seu mapa em cores diferentes do objetivo principal, e podem ser ativada durante seu progresso. Completar as missões paralelas podem te render alguns achievements no jogo que liberam itens importantes, então é bom ficar atento.

As missões variam entre prender ladrões [você é parte da força policial], ajudar pessoas perdidas e infectadas, até recolher lixo para manter a cidade limpa e tomar sorvete. E não se esqueça de sempre atravessar na faixa e quando o sinal estiver verde para o pedestre.

Astral Chain possui um sistema de batalhas que sabe transitar com muita facilidade entre o simples e o complexo, sem jamais se transformar em algo extremamente complicado, sempre mantendo um ar mais técnico, de aprendizado, levando o jogador ao limite de suas habilidades, mas em momento algum se torna frustrante a ponto de fazer o jogador se incomodar ou desistir.

Todos os botões do controle são muito bem utilizados para criar lutas muito bem planejadas, repletas de ação, e exigindo muito treino e uma resposta rápida do jogador a algumas ações dos inimigos. Você controla o seu personagem e alguns Legions, e os controles e golpes dos dois, além de funcionarem muito bem individualmente, vão realmente brilhar quando se complementarem, permitindo assim que você crie combos de golpes com o Legion, causando um dano ainda maior nos inimigos. Isso vai ser bem útil em chefes maiores, então continue treinando nos inimigos pequenos.

Durante seu progresso nas missões principais, os controles vão evoluindo e os combos vão melhorando, fortalecendo seu vínculo com o Legion, e facilitando a luta contra chefes maiores. Mas não abaixe a guarda, pois o jogo irá te presentear com batalhas muito longas que vão colocar todas as suas habilidades à prova.

Além de todo esse sistema robusto de batalha, existem comandos que irão salvar sua vida [literalmente], o principal deles é o FINISH, que aparece quando o inimigo está prestes a morrer, e se executado no tempo certo, irá acionar uma cena de finalização [uma das muitas homenagens do jogo a Bayonetta] e completará sua barra de energia, evitando que você precise gastar itens de cura após uma batalha mais cansativa [porque durante vai ser praticamente inevitável].

O jogo possui um sistema de batalhas multiplayer, mas ao invés de cada jogador comandar um personagem, o Player 2 vai ficar a cargo do Legion. O que não é de todo ruim, afinal de contas ele possui um arsenal vasto de golpes e combos, mas deixa um pouco a desejar na experiência como um todo, podendo facilmente ser deixada de lado, não oferecendo qualquer peso ou importância para o gameplay. Mas se você tem com quem dividir o joy-con, vale a pena experimentar, pode ser útil em momentos mais complexos, uma vez que cada jogador estará focado em seus próprios golpes e unindo essas forças, pode ser mais fácil derrotar inimigos mais trabalhosos.

E já que estamos falando de dificuldade, o jogo possui uma acima da média, ali no limite do que é permitido, inclusive para marinheiros de primeira viagem no estilo de batalha da Platinum, sem que aconteça o famoso rage quit.

Mas não se assuste, ele possui um modo casual, que fará com que tudo aconteça de uma forma mais orgânica e natural, e você possa usufruir do jogo em sua totalidade, caso dificuldade não seja o seu forte. A diferença é que o modo casual não mostra rankings no final das missões e/ou capítulos.

No modo tradicional, o jogador pode esperar por rankings C e D e se contentar com isso sem sustos, pois eles serão comuns, e os A, S e S+ serão amplamente comemorados.

A trilha sonora do game é impecável, com melodias que complementam as batalhas de uma forma única, e quem também fornecem ambientações para cada um dos cenários de uma forma complementar, mergulhando o jogador na experiência. Algumas delas vão ficar ecoando na sua mente por um bom tempo.

Trazendo uma das experiências mais bonitas e completas do Nintendo Switch, Astral Chain torna-se indispensável na biblioteca, independente de você já estar acostumado com o estilo dos jogos da PlatinumGames, ou se você já jogou / conhece Bayonetta. É uma experiência única, tanto em gameplay quanto em estilo, que dificilmente irá decepcionar o jogador.

Um jogo completo que irá te entreter durante boas horas, com um conteúdo pós-game capaz de desafiar sua força de vontade.

 

Esta análise foi feita com código gentilmente cedido pela Nintendo.

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