REVIEW | Entre no ritmo de CADENCE OF HYRULE

Existe uma heroína chamada Cadence que, com sua pá e sempre no ritmo de boas músicas, derrota inimigos sombrios e ameaças nefastas que assolam seu mundo. Um belo dia, ela se vê em perigo maior do que qualquer um que já enfrentou antes, e decide que chegou a hora de buscar ajuda.

Então ela parte atrás de seus aliados, e chega em uma fenda no espaço que pode levá-la a dois destinos. Um deles a leva até Zelda, e o outro até Link. E caros leitores, essa escolha é mais difícil do que escolher os Pokémon iniciais de Kanto. Mas ela precisa ser feita. Cadence of Hyrule já começa testando o jogador [Ok, eu escolhi a Zelda sem pensar duas vezes e sem olhar para trás, mas isso não vem ao caso].

Não importa se você está jogando no single player ou no multiplayer, o jogador deve escolher entre se aventurar ao lado de Zelda ou ao lado de Link, e então se juntar a Cadence para limpar o mal que assola aquele mundo. Mas não se preocupem, boas recompensas virão de qualquer um dos lados dessa escolha.

Zelda é uma série repleta de músicas icônicas e que nunca vão sair da cabeça de quem joga, e eu sempre imaginei que a série Theatrhythm seria uma boa forma de fazer um jogo musical da franquia. Mas jamais podia imaginar que Crypt of the Necrodancer seria o caminho escolhido para este feito, e que daria tão certo.

NO RITMO DA MÚSICA

Para quem não está habituado com o sistema de Crypt, em Cadence of Hyrule o jogador precisa se movimentar  por pequenos quadradinhos pré-definidos no cenário seguindo o ritmo da música. O objetivo é limpar cada um dos cenários, e então a música irá diminuir e você poderá se movimentar livremente. Mas enquanto houver inimigos, seus movimentos precisam ser bem calculados para não perder o ritmo, o que não acarreta em nenhum tipo de penalidade, mas acaba dificultando ainda mais o objetivo de cada missão.

E se você não se habituar, existe a possibilidade de desligar o sistema rítmico do jogo para que possa apenas andar pelo cenário, batalhar e curtir uma ótima trilha sonora enquanto se diverte. Mas a partir do momento que você já se acostumou com aquela mecânica, você vai se pegar pulando pra lá e pra cá no ritmo das batidas de Hyrule mesmo quando não há mais necessidade, quando estiver em um cenário já livre de inimigos.

Cadence é um jogo completo em sua história, gameplay, ambientação, mecânicas, mas o ponto alto sem dúvida alguma é a trilha sonora. Crypt of the Necrodancer já é amplamente conhecido por ter músicas muito boas que impulsionam o gameplay e depois ficam grudadas na cabeça. Em CoH isso é transposto para as músicas de Zelda, e é aí que os fãs da série vão se deliciar. As melodias para compor o jogo foram muito bem escolhidas, e os novos arranjos e ritmos dão um ar de frescor e novidade a melodias que estamos tão habituados a ouvir durante nossas aventuras por Hyrule.

É um verdadeiro espetáculo musical. A homenagem definitiva a uma franquia composta por tantas melodias únicas e especiais que marcaram por tantos anos nossas jogatinas, agora aparecem em uma verdadeira seleção de Greatest Hits em um jogo totalmente musical. Um trabalho cuidadoso e primoroso.

Mas como eu disse antes, o jogo acerta em muitos outros aspectos. As batalhas são intensas e frenéticas. Muitas vezes limpar o cenário traz uma sensação de alívio, mas no segundo seguinte você já quer ir para o próximo e continuar batalhando, e o processo se repete constantemente. Existe uma variedade enorme de armas e acessórios que os heróis podem utilizar para facilitar sua vitória, além de upgrades temporários e alguns recursos permanentes que ajudam tanto nas batalhas quanto na exploração e também na solução de puzzles.

E como as batalhas e as músicas funcionam em total harmonia [literalmente], estas nunca deixam a desejar. Seja contra inimigos pequenos espalhados pelo cenário, os de médio porte que muitas vezes estão escondidos em cavernas, seja nas icônicas batalhas contra os chefes que, mesmo que não sejam muito longas [alguns são bem fáceis de matar], trazem em sua essência um ar de novidade, utilizando inimigos clássicos da franquia Zelda misturados com elementos musicais, criando chefes como a Gohmaracas, por exemplo. Uma Gohma que utiliza Maracas.

Parece redundante dizer que cada batalha funciona como uma dança, uma vez que é exatamente isso que vocês estão fazendo o tempo todo no jogo: dançando. Mas… é isso. Todos os movimentos precisam ser calculados, ritmados, passo a passo, seguindo a batida, o ritmo da música.

E o jogo ainda faz uma das melhores utilizações do HD Rumble entre toda a biblioteca do Switch. Um recurso que ainda está sendo pouco utilizado pelas desenvolvedoras, mas que o pessoal da Brace Yourself Games soube explorar a funcionalidade de forma genial. Não vou entrar em detalhes para não estragar a surpresa e a experiência, mas quem jogou sabe.

UM VERDADEIRO ZELDA

E é na mistura de exploração com solução de puzzles que Cadence of Hyrule mostra que é sim um legítimo The Legend of Zelda. Os puzzles não são muito complexos mas são eficientes, oferecendo a sensação de realização, de missão cumprida, sem que o jogador precise ficar preso por horas na solução. Isso não é uma crítica aos puzzles mais complexos de outros jogos da série, mas é um elogio ao fato de que eles foram escolhidos da forma correta para se adaptar ao ritmo mais intenso do jogo.

E ao encher o mundo de mini puzzles, a exploração livre não foi deixada de lado, porque os cenários são cheio de itens escondidos e passagens secretas e pieces of heart, baús, rupees, diamantes e tudo mais que os jogadores já estão acostumados a encontrar quando estão explorando qualquer uma das Hyrules. Dessa forma, criou-se um balanço muito bem feito para que fãs e entusiastas das duas vertentes de Zelda se sintam em casa ao ajudar Cadence. Afinal de contas, ela não pertence a este mundo, e nós também não. Por outro lado, passamos toda a nossa vida ajudando Link e Zelda.

No final das contas, temos muito em comum com essa corajosa garota.

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