REVIEW | FORAGER é uma carismática aventura por um mundo que se abre diante de seus olhos

Estamos vivendo uma revolução indie. Com o avanço e livre distribuição de tecnologia de desenvolvimento de games (aliado a um mercado cada vez mais sedento por inovação), muitos produtores independentes ganharam um lugar ao sol para divulgar seus games. Porém, quando se tem muitos produtos similares disponíveis, fica difícil saber quais daqueles possuem uma boa qualidade. Felizmente, Forager é um daqueles títulos que se destaca entre muitos e cativa o jogador por sua simplicidade e carisma.

Tudo começa bem simples: você é um pequeno explorador em uma minúscula ilha. Com apenas uma picareta e uma mochila a seu dispor, o seu dever é desbravar esse mundo selvagem e tentar sobreviver. Por acaso isto está lhe parecendo muito um rip-off de Minecraft? Em termos de mecânicas, Forager realmente não tem nada de inovador ou que outros games do gênero survival já não tenham feito.

Conforme você vai minerando o ambiente ao seu redor, você obtém mais materiais e recursos necessários para construir forjas, pontes, equipamentos e até refeições completas! Por exemplo, ao cunhar moedas, você pode comprar outras ilhas e expandir seu mundo aos poucos, revelando detalhes interessantes e até missões especiais. E como a geração de seu mundo é totalmente procedural, você nunca sabe o que irá descobrir em um novo pedaço de terra.

Mas se o jogo não traz nenhum tipo de inovação para o gênero, qual seria o motivo para jogá-lo? Seu carisma. Essa é pedra-base que sustenta o game e o destaca entre outros títulos de abordagem semelhante. Seja pelo seu visual pixelado que consegue apelar para a nostalgia na medida certa ou com suas músicas leves, mas divertidas, Forager é um jogo que sabe criar um ambiente relaxante e envolvente para o jogador.

Outro elemento que adiciona uma camada extra ao charme do jogo são os conteúdos extras que podem ser desbloqueados quando o jogador cumpre tarefas específicas no game. Muitos deles são pequenas histórias em quadrinhos feitas pelo próprio criador do jogo, “Hop Frog”, que mostram um pouco mais da lore do game e até mesmo a saga que ele enfrentou para se tornar um desenvolvedor de games. É um conteúdo muito especial que mostra que mais do que apenas um videogame, Forager é uma obra feita com muito carinho e dedicação.

E podemos observar toda essa dedicação do criador na forma como o game se desenvolve conforme você vai descobrindo o mundo. Com um leque variado de construções e itens para criar (e até calabouços e inimigos para enfrentar), muitas vezes Forager passa a impressão de ser um RPG criado pelo próprio jogador. Mas não se esqueça de se manter bem alimentado sempre: por mais que Forager possa parecer um RPG em vários momentos, você precisa ficar sempre atento à sua energia que vai se esvaindo ao longo do dia e conforme o tipo de tarefa que realizamos.

No entanto, nem mesmo as características cativantes de Forager conseguem ofuscar seus problemas. Como todo survival simulator, se prepare para passar várias horas minerando e fazendo as mesmas ações repetidas vezes. O problema aqui é que existem poucos ou quase nenhum evento que quebre essa monotonia (especialmente quando se está no começo de sua aventura). Você encontrará alguns animais selvagens e outros inimigos que aparecem conforme você vai desbloqueando mais ilhas, mas a mineração e escavação serão suas principais atividades no game, então vá se acostumando.

Além disso, seu espaço no inventário é muito limitado e exige uma boa quantidade de tempo antes de conseguirmos expandi-lo devidamente. É aceitável que você precise saber gerenciar seu inventário neste tipo de game, mas como nosso personagem pega qualquer item que passa por cima, é muito irritante receber a mensagem de “inventário cheio” constantemente. Portanto, quando for criar novos equipamentos, foque em conseguir materiais para expandir sua mochila.

A boa notícia é que, se você conseguir olhar além dessas falhas do game, Forager irá te proporcionar uma experiência incrível. A sensação de satisfação que você sente quando, depois de inúmeras horas, consegue vislumbrar o mundo que você criou com as suas várias ilhas, vários estabelecimentos, tipos de colheitas e outros elementos é um sentimento delicioso que se reflete nas várias nuances desse universo particular criado pelo jogador.

A análise do jogo foi feita na versão de Nintendo Switch, com cópia digital gentilmente cedida pela Humble Bundle Studios.

Revisão: Arthur Pieri

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