REVIEW | TINY METAL: FULL METAL RUMBLE e a sombra da sucessão espiritual

Era 2007 quando fui introduzido aos jogos táticos com Advance Wars Dual Strike no DS. O jogo já tinha alguns anos, mas ainda assim conseguiu deixar o meu eu de 11 anos bem empenhado em imaginar estratégias e controlar o meu exército até a vitória. Agora, 12 anos depois, me passaram a responsabilidade de analisar Tiny Metal: Full Metal Rumble, um dos vários jogos lançados nos últimos tempos tentando carregar o fardo de ser o “verdadeiro” sucessor espiritual de Advance Wars.

Mas o problema de tentar carregar esse peso (ou, de uma forma geral, carregar qualquer peso de sucessão) é que espera-se uma série de detalhes, convenções e bons sistemas de jogabilidade para que obtenha-se sentido nessa comparação. Não basta ser somente um jogo tático, em resumo. Infelizmente Full Metal Rumble não percebe isso e tenta ser somente uma cópia-carbono bem menos charmosa do jogo que o inspira.

Full Metal Rumble apresenta mapas desafiadores e complexos de serem atravessados, mecânicas de unidades transportadoras para poder mover melhor as unidades usadas para reconhecimento, índices de combustível e munição. Isso vai adicionando toda uma gama de variáveis que você deve ficar de olho durante o percorrer dos turnos. Quanto mais longa a batalha, mais numa situação onde seus recursos rapidamente se acabam você pode estar entrando. Tudo isso que falei acima são adições em relação ao Tiny Metal original (FMR é uma continuação do jogo lançado em 2017 para o Switch), mas que no final não deixam o jogo mais único e sim uma experiência mais parecida com outros jogos de guerra tática.  Os mapas apresentam neblina-de-guerra, famosa por limitar a visão e obrigar o jogador a mover suas unidades rumo ao desconhecido para uma visão mais ampla. A IA é boa, sendo dinâmica o suficiente para mudar de foco conforme o fluxo das batalhas – em certo momento demorei mais de 20 turnos para conseguir terminar um ataque quando a IA identificou o quão perto de capturar o objetivo eu estava.

Realmente são pontos positivos e o jogo pode entreter o suficiente muitos fãs do gênero. Mas, me pergunto, o que alguém que acabou de sair de uma jogatina de Advance Wars ou até mesmo do mais recente Wargroove pensaria? Um jogo no final não é só feito de mecânicas, e em Full Metal Rumble não existe muito além disso para se elogiar. A história é um aglomerado de clichês que no contexto não funcionam bem, os personagens não são carismáticos, a direção artística não é marcante e os conteúdos que podem ser liberados não são o suficiente para manter o jogador engajado no título. Falta charme.

Se você está muito na sede por um jogo tático, eu recomendo o jogo. Se for sua primeira experiência com o gênero ou você procura algo novo nele, passe longe. No fim, é um jogo com acertos e defeitos que infelizmente fica sobre a sombra de uma franquia esquecida que, anos atrás, era bem mais capaz.

Comentários: