REVIEW | BRAVELY DEFAULT II sustenta o legado de sua série sendo um dos melhores RPGs do Switch

Bravely Default funciona no mesmo sistema de Final Fantasy. Os jogos numerados [I, II] trazem uma história inédita, enquanto continuações são identificadas de outra forma, como no caso do Second.

Partindo do princípio de dar continuidade na série Bravely, mas sem ser exatamente uma continuação direta do primeiro jogo, Bravely Default II chegou esse mês ao Nintendo Switch com todo o carisma e complexidades dos JRPGs que a série carrega.

*Bravely Default funciona no mesmo sistema de Final Fantasy. Os jogos numerados [I, II] trazem uma história inédita, enquanto continuações são identificadas de outra forma, como no caso do Second. Portanto, Bravely Second é sequência de Bravely Default, e Bravely Default II é uma história nova e independente dos outros dois.

Mas por mais que cada um conte sua história, as referências não apenas ao primeiro jogo estão por toda parte, e logo no começo da história você descobre que precisa coletar quatro cristais para poder ajudar um dos ajudantes de sua party. Os quatro cristais que são um elemento recorrente em Final Fantasy, uma série que tem grande influência em BD, uma vez que o primeiro jogo é uma espécie de sucessor espiritual de The 4 heroes of Light, do Nintendo DS.


O PODER DA BRAVURA

Nossa aventura começa na pequena cidade de Halcyonia, e a história vai girar em torno de nosso herói [você escolhe o nome, o meu se chama Zezinho] e sua quest para salvar a adorável princesa Gloria, que está há alguns anos foragida de seu reino, e se abrigando em um reinado vizinho, mas ela precisa voltar para casa, antes que alguns malfeitores tomem seu reinado e destruam sua terra.

A trama do jogo tem um desenvolvimento rápido logo no começo, contando muito da história e envolvendo o jogador em batalhas contra alguns dos principais antagonistas, mas o ritmo desacelera com a mesma rapidez, e “ritmo” acaba sendo um dos maiores problemas do jogo, uma vez que ele é inconsistente e pode arrastar o jogador por mais tempo do que o necessário durante a sua jornada.

Mas por mais que o jogo te leve por mais tempo, ou te obrigue a lutar mais do que precisa para alcançar certo nível, é em suas batalhas que ele vai brilhar e conquistar o jogador.

O sistema de BRAVE e DEFAULT das lutas é inteligente, interessante e deixa todos os encontros que você faz com inimigos com um desafio extra, uma vez que você tem que ser estratégico para poder se sair bem de cada um desses encontros, e pensar com calma como agir dependendo do tipo, força e outras características dos inimigos.

Com o DEFAULT, você pula um turno e acumula poder para utilizar em turnos futuros, o que é útil para inimigos fortes, então é importante saber inclusive com qual personagem usar. Você pode acumular até quatro turnos para utilizá-los de uma vez.

BRAVE é o sistema que gasta estes turnos acumulados, e pode inclusive ser utilizado antes mesmo de você guardar. Você utiliza seus Braves sem acumular Default, e ele cria uma contagem negativa [-1, -2], e então nos próximos turnos você precisa descansar para recuperar o que foi gasto. Em um momento de desespero, na certeza de que você pode ter alguma vantagem sobre o inimigo, ele será muito útil.


É FOFO, MAS PERIGOSO

O jogo manteve o estilo chibi do original, com os personagens cabeçudos e corpos compridos. E assim como acontece com qualquer jogo chibi que vai pro HD, os corpos ficaram ligeiramente mais esticados. Dessa forma, cria-se uma identidade, para que a associação seja sempre imediata quando o jogador olha para um personagem, uma screen do jogo, um vídeo, ele saiba imediatamente que se trata de BD.

As ambientações estão fascinantes. Tudo construído com cuidado e atenção. Cidades, vilarejos, castelos, montanhas, mar. Todas as localidades do jogo exalam identidade, criatividade, conversando perfeitamente com o design dos personagens, contando assim uma história coesa através de seu visual.


SALVAR O MUNDO DÁ TRABALHO

O jogo possui um sistema de jobs e sub-jobs muito variado, que permite que sua party seja formada por personagens com diferentes habilidades e atributos. Você começa como freelancer, que é o job padrão, mas a variedade é enorme e vai te fazer questionar por diversas vezes se escolheu o job certo para seu personagem, e acabar upando outro do zero apenas para ver os efeitos e assim por diante.

Saber equilibrar os poderes de cada personagem com as fraquezas dos inimigos é essencial para a vitória em algumas batalhas mais difíceis. E Bravely Default II caprichou em batalhas difíceis. Logo na primeira grande batalha do jogo, caso você não chegue devidamente preparado, vai encontrar um desafio acima do usual na maioria dos JRPGs [então se prepare, lute com os inimigos quando estiver vagando pelo mundo]. E não vai ser incomum terminar partidas com apenas um personagem inteiro, com um pequeno traço na barra de vida. O jogo está disposto a te desafiar, e para aceitar esse desafio, você deve saber como dominá-lo.


O LEGADO… DO LEGADO

Como já dito antes, Bravely Default é uma espécie de continuação espiritual de um spin-off de Final  Fantasy [ele trilhou um longo caminho], e hoje está consolidada como uma série forte nas plataformas Nintendo, e em breve gerando seus próprios spin-offs. Ele tinha grandes expectativas para cumprir, uma vez que o primeiro jogo é aclamado entre os fãs de RPG. E BDII não apenas faz muito bem seu trabalho. Ele aprimora mecânicas e conceitos de seu antecessor, sabendo onde estão seus erros, suas falhas, e corrigindo-as, como toda boa sequência precisa ser [não confundir sequência, de jogo numerado, com continuação, a continuação da história do primeiro Bravely, está em Second].

Bravely Default II desponta como um dos jogos mais completos do Nintendo Switch, um dos grandes JRPGs desta geração. Um jogo que sabe sustentar uma franquia que, apesar de estar há alguns anos na estrada, ainda é nova, e está pronta para continuar contando suas histórias de heróis, heroínas, princesas, reinos ameaçados e, claro, cristais.

Um jogo indispensável em qualquer biblioteca de amantes do gênero. E se você está procurando algo novo para se aventurar, pode ir sem medo porque BDII não decepciona.