REVIEW | CAPTAIN TSUBASA é diversão garantida até para quem não gosta de animes ou futebol

As jornadas nos campos de futebol enfrentadas por Tsubasa e seus amigos do time Nankatsu eram divertidas e conquistou fãs mundo a fora, e claro que não poderia ficar fora dos games.

Quem é das antigas lembra do estouro dos animes na TV brasileira. Surgindo na cola do sucesso de Cavaleiros do Zodíaco (Saint Seiya), os desenhos vindos direto do Japão se tornaram febre entre adultos e crianças do início dos anos 90, que ansiavam por novas aventuras. Dentre os inúmeros animes que estrearam, um em particular mexeu com os corações futebolísticos dos brasileiros, o Captain Tsubasa, ou Super Campeões, como era chamado por aqui.

As jornadas nos campos de futebol enfrentadas por Tsubasa e seus amigos do time Nankatsu eram divertidas e conquistou fãs mundo afora, e claro que não poderia ficar fora dos games. Vários jogos baseados na série foram lançados, alguns com temática de RPG de turnos e até mesmo jogos recentes para celular, como o Dream Team. Com a chegada de Captain Tsubasa: Rise of New Champions da Bandai Namco ao Nintendo Switch, temos a oportunidade de sentir a emoção das partidas do anime em um jogo que mistura elementos clássicos do futebol virtual com os exageros que fazem a animação tão única e especial.

DUAS JORNADAS PARA ACOMPANHAR

Captain Tsubasa: Rise of the New Champions possui vários modos de jogo, mas o que mais empolga os fãs são as campanhas. Isso, no plural mesmo, pois o game possui duas campanhas principais. A primeira acompanha a jornada do time Nankatsu pelo campeonato regional juvenil de escolas. A equipe liderada pelo próprio Tsubasa precisa conquistar seu tricampeonato para que o jovem capitão seja reconhecido pelos olheiros japoneses e realize seu grande sonho de ir para o Brasil e se tornar jogador profissional, assim como seu grande ídolo, Roberto Maravilha.

Para isso, é preciso superar inúmeros desafios, como lesões oriundas de partidas intensas e até seu grande rival Kojiro Hyuga. Esse modo serve não só como um contexto narrativo para as emocionantes partidas, mas também como um tutorial das mecânicas que são mostradas aos poucos conforme se avança na Jornada.

A segunda aventura dá ao jogador a possibilidade de criar um personagem novo, que fará parte de uma das escolas rivais à Nankatsu, Tohro, Furano ou Musashi. É possível escolher o visual do personagem baseado nas características dos traços dos animes, assim como distribuir alguns pontos de atributo. A partir daí ele evolui durante as partidas, que são mais desafiadoras que na primeira jornada, em busca de se consagrar um novo herói juvenil.

BARRAS E MAIS BARRAS

O grande diferencial de Rise of The New Champions em relação a outros jogos de futebol são suas mecânicas. Longe de serem simulações como PES e Fifa, Captain Tsubasa se esforça para criar uma mecânica que pode ser parecida com os outros games, mas carrega características únicas que o transforma em algo totalmente diferente. Assim como Mario Tennis Aces, a inspiração em jogos de luta é evidente. Com muitas barras para se administrar, o jogador precisa estar atento ao nível de garra dos atletas, assim como a barra maior que representa todo o time chamada de Zona-V.

Correr gasta Garra, mas é necessário para executar os dribles e fugir de investidas. Caso a barra se esgote, o jogador perderá a bola com mais facilidade. Ao chegar próximo do gol é preciso encher a barra de chute, que quando completada, executa um ataque devastador que diminui a “vida” do goleiro, também demonstrada com barras. Quando essa acaba, é mais fácil realizar gols, já que o tiro mais forte passa pela barreira, e ele também não consegue mais segurar os chutes comuns. Existem formas de impedir que os ataques mais poderosos gastem muito da energia do goleiro ou até mesmo não cheguem ao gol. Uma delas é quando algum jogador da área literalmente entra na frente da bola e a defende com o corpo.

A barra do time, Zona-V, serve como um ótimo recurso em momentos de perigo. Recuperando a garra dos jogadores e deixando mais fácil realizar dribles e defesa, é um recurso importantíssimo para as partidas. Na defesa, é possível utilizá-la quando o goleiro recepcionar um chute especial, que fará ele defender a bola com 100% de acerto porém ao custo de toda a Zona-V.

OLÉ!!!!

Os dribles e investidas são importantes para alcançar o objetivo. Pressionar os botões ZR e R no momento exato fazem com que o jogador se esquive das investidas e continue com a bola. Assim como no anime, as regras de futebol de verdade não são aplicáveis aqui, portanto carrinhos, empurrões e até mesmo rasteiras estão permitidas, não existe falta (o que leva os jogadores a constantes lesões que se tornam as dificuldades da trama).

Executar um carrinho com o ZR pode fazer o inimigo voar longe e passar a bola pra você, mas se ele pressionar o R no momento certo, ele pula seu pé e continua correndo para o gol.

Essa dinâmica de observar barras, analisar as divididas e investidas dos rivais para assim executar seus movimentos de forma rápida e assertiva torna o game bastante divertido. Até pessoas que não são familiarizadas com jogos de futebol, ou não curtem o esporte de maneira alguma podem gostar do jogo.

SUPER CAMPEÕES

Em certos momentos das partidas do modo história, algumas ações disparam uma cena narrativa. Dependendo da posição do jogador e do movimento executado, um filme baseado em momentos icônicos do anime é exibido. Alguns deles terminam com um jogador machucado ou alguém fazendo gol, independente do lado. Essa forma de narrativa pode ser frustrante para alguns, pois é preciso estar atento à história e seguir o contexto para que sejam executadas. E levar um gol automático sem chance de se defender é muitas vezes desanimador, pq pode acontecer no final da partida levando o jogador à derrota e tendo de refazer o capítulo.

Mas mesmo com algumas partes injustas, essas cenas rendem os melhores momentos do jogo, como os irmãos gêmeos que se transformam em um trampolim ou até mesmo a bola do Tsubasa que continua sua jornada até o gol mesmo depois de ter caído no chão. São totalmente exageradas mas que carregam o charme necessário para empolgar.

E A VERSÃO DE NINTENDO SWITCH?

No Nintendo Switch, Capitain Tsubasa: Rise of The New Champions não faz feio. Com certeza não é a versão que possui os melhores visuais do jogo em vista que está disponível em aparelhos mais potentes, mas mesmo assim o game está muito bonito. A taxa de quadros por segundo sofre quedas em vários momentos e é bastante perceptível, mas de nada atrapalha o gameplay. É possível realizar os movimentos mais exigentes sem muitas dificuldades. A parte negativa é que os menus também sofrem essas quedas e não são tão fluidos. Uma pena já que tem um estilo gráfico muito bonito.

COMO ASSIM VOCÊS NÃO SÃO A MESMA PESSOA?

Os traços do anime original era bem característico, mas não existiam tantas variações para os modelos dos personagens. Porém, com a animação, era possível identificar bem quem era quem. No videogame a coisa se complica. Os traços são bem parecidos e dependendo do ângulo de visão fica impossível diferenciar os jogadores. Até mesmo NPCs secundários se misturam, como as garotas, que no início eu achei que era somente uma e na verdade são duas mas bem parecidas. Os personagens parecem ter sido feitos no criador de personagem do próprio game e se não existe uma característica marcante, como o cabelo ou dentes grandes, a sensação é que dentro de campo são todos os mesmos modelos.

Legendado em Português e contando com as mesmas vozes em japonês do do anime, Captain Tsubasa: Rise of The New Champions consegue agradar tanto fãs do anime quanto fãs de futebol e, surpreendentemente, pessoas que não curtem nenhuma das duas coisas. Mesmo a semelhança entre os personagens não atrapalha os bons gráficos do game, que são complementados por um bom menu, que poderia ser um pouco mais fluido mas funciona bem. As mecânicas divertidas que fazem para o futebol o que Mario Tennis Aces faz para o Tênis são o suficiente para manter os jogadores interessados e motivados a dominá-la. Caso você busque um jogo de esporte, mas não curte a seriedade dos simuladores, Tsubasa é a solução.

Esta análise foi feita com código gentilmente cedido pela Nintendo do Brasil.

Revisão: Angelo Mota