REVIEW | DRAGON QUEST XI S é a essência do JRPG

Dragon Quest XI se vende muito por ser o RPG clássico e ele remete a isso a cada instante.

Sempre que pensamos no Japão ou em pessoas que possuem heranças desse país,  temos um ideia de respeito perante as tradições passadas de gerações em gerações. Ao avaliar obras nas mais diferentes mídias originadas de lá, também podemos notar isso. Ao passo que o oriente tem vários gêneros videogamísticos que se originaram lá, nenhum talvez seja tão famoso quanto o JRPG – Final Fantasy, Persona e várias outras séries populares também do nosso lado do globo. Mas o que muita gente aqui no ocidente não sabe – ou ignora – é que temos uma série que serve como o pai de todos esses jogos – a franquia Dragon Quest. Atualmente em seu décimo primeiro jogo principal (mas com a existência de incontáveis spin-offs), chegou ao Switch emuma versão melhorada e com várias adições de seu ultimo lançamento – ganhando com isso um nome enorme e uma responsabilidade grande de mostrar para os fãs do híbrido da Nintendo esse universo incrível que o Japão tanto adora e nunca foi muito bem recebido aqui em termos de venda e popularidade. Nessa análise iremos tentar entender o que é  Dragon Quest XI S: Echoes of an Elusive Age – Definitive Edition.

O QUE É DRAGON QUEST?

Dragon Quest é uma franquia de jogos do gênero JRPG que começou em 1986 com o lançamento do primeiro jogo para Famicom. Pegando inspiração de alguns RPGs para computadores mais antigos como Ultima e Wizandry, o jogo tentou adaptar aquela jogabilidade para o console com algumas características a mais – na época, um de seus principais pontos charmosos era a arte de Akira Toriyama, o autor de Dragon Ball, e as composições de Koichi Sugiyama, um compositor famoso no Japão que recentemente tem se destacado negativamente por tecer comentários ofensivos e negar crimes de guerra japoneses. Junte a isso Yujii Hoori como diretor e temos um time que seria considerado uma trindade divina dos desenvolvimentos de jogos japoneses (Se o nome de Horii não te diz nada, ele é o diretor de Chrono Trigger).

Inicialmente com uma trama simples e de fácil compreensão, o jogo conquistou o Japão e foi rendendo cada vez mais. Seu monstro mais famoso, o slime, é tão reconhecível em terras nipônicas quanto o Pikachu no resto do mundo. De 1986 para cá vieram vários games carregando o nome “Dragon Quest” e a mão dos 3 nomes citados acima – com passagem por vários consoles, desde o Super Famicom até o PS Vita. Echoes of an Elusive Age, que iremos nos referir como DQXI pelo resto deste texto, é não só o décimo primeiro título da franquia principal como também é o título comemorativo para o aniversário de 30 anos da série. Essa informação é importantíssima para entender certas escolhas e motivações do jogo e não analisá-las como nostalgia por nostalgia.

O CONTO DE FADAS E O MUNDO SIMPÁTICO

Aqui você não irá encontrar grandes tramas políticas ou um mundo complexo – mas sim uma história clássica de bem contra o mal, onde o herói – a reencarnação do Luminário, o lendário campeão das terras onde o jogo se passa – com seus amigos deve percorrer os mais diversos locais para pouco a pouco ir ganhando força para enfrentar o grande terror que assume a forma do Senhor das Trevas. No meio disso, ele irá se encontrar com momentos de indagação de sua própria origem, reviravoltas variadas sobre os seus planos e companheiros improváveis. Sim, isso é a descrição de um jogo moderno e que foi lançado em 2019 – clichê puro. E isso, aliás, pode se falar da série inteira.

“Mas Dácio, eu sempre vejo tu se manifestando como um puta fã da série! O que aconteceu?” Eu realmente sou um grande fã, mas não é por conta desse esquema básico de história que eu apresento acima, e sim pela forma que o mundo é apresentado a você. Os personagens se importam com a lenda do luminário e vivem por ela. Os seus amigos são companheiros e muito mais atraentes como personagens do que o protagonista. As regiões são únicas e representam pluralidades culturais incríveis. A sua jornada não é uma jornada passando por diversos checkpoints como em tantos outros jogos, mas sim uma aventura em um mundo simpático que presta reverência a você, o jogador, e vai sendo impactado e modificado quanto mais você o explora.

Seja andando pelos campos verdejantes ou montanhas congeladas, montando um cavalo ou um dos vários monstros que podem ser domados para atravessar terrenos, você se sente nessa aventura até o fim e é comprado por ela. O jogo tem toda uma aura charmosa que você não consegue largar e se sente parte daquilo – de certa forma, o real Role Play.

TURNOS, TURNOS, TURNOS

O sistema de combate em turnos de Dragon Quest XI é um dos mais puros que existem no mercado atualmente. Aumente um status de um dos personagens com um outro e depois ataque. Fique de olho na vida dos personagens para poder ativar algum heal caso necessário. Se for mais de um inimigo tente ataques em grupo.  Básico, porém é o que a franquia e seus fãs gostam mesmo – embora que em DQ VIII e IX o sistema tinha uma mudança sobre o controle do jogador: a tensão.

A cada nível acumulado de tensão você ganha um pequeno aumento no poder de seu próximo ataque, tornando os turnos nesses jogos muito mais estratégicos do que em outros jogos da franquia. Em DQ XI também temos como receber um aumento em status a partir de algo parecido com a tensão – o chamado Pep, mas apresenta várias mudanças. A primeira é que você não tem controle de quando irá entrar – cada personagem tem sua própria maneira de entrar neste estado que depende de fatores que podem variar de dano recebido até o quanto ele usou magias de suporte. A segunda diferença é que o estado de Pep libera golpes especiais, que podem ser tanto só de um personagem quanto combinações de vários. Saber quando usar esses golpes ou quando aproveitar o boost do Pep é necessário para tornar o combate mais fluído e um pouco mais complexo, embora você possa passar o jogo inteiro sem pensar muito nisso.

UMA AVENTURA IMPERDÍVEL

Eu admito que talvez nem todos aguentem o jogo. Dragon Quest XI se vende muito por ser o RPG clássico e ele remete a isso a cada instante. Pessoas acostumadas com os jogos mais ocidentais como Witcher ou Skyrim irão achar um jogo lento. Fãs de jogos de rpg orientais talvez não entendam a falta de certas opções comparado a outros exemplares. Mas no final aqueles que aguentarem o jogo terão uma aventura única e confortável, que com certeza fará você se sentir em um mundo fantástico que precisa de sua ajuda. Recomendo!