REVIEW | HYRULE WARRIORS AGE OF CALAMITY acerta ao tentar ser o prequel de Breath of the Wild

Hyrule Warriors – Age of Calamity foi anunciado como um prequel de The Legend of Zelda – Breath of the Wild.

Quando a Nintendo anunciou o primeiro Hyrule Warriors, no Wii U, ainda como título provisório, pegou todo mundo de surpresa. Não era novidade a Tecmo misturar sua série Warriros com outras franquias, mas era a primeira vez que veríamos em uma IP da Nintendo, e Zelda era o lugar certo para começar, com seus personagens variados, mundos diversos e, principalmente, mecânicas infinitas. Este mesmo jogo ganhou mais duas versões posteriores: Hyrule Warriors Legends no 3DS e Hyrule Warriors Definitive Edition no Nintendo Switch.

Ainda no clima de surpresa, a Nintendo então anunciou Hyrule Warriros – Age of Calamity, uma nova entrada na série Zelda Musou, que iria passear pelo mundo de Breath of the Wild, contando a história do que teria acontecido 100 anos antes da Hyrule que visitamos no primeiro jogo da franquia para o Switch. Mas as surpresas não paravam por aí.


ANTES DA CALAMIDADE

Situado em uma Hyrule antes dos eventos da Calamidade que destruiu a próspera terra que vivia sob os cuidados do Rei Rhoam e da Princesa Zelda, começamos o jogo acompanhando a viagem no tempo do adorável Baby Guardian [ele tem um nome, mas vamos guardar essa informação sigilosa, para quem ainda não jogou], que volta 100 anos ao passado para tentar se livrar do ataque de Calamity Ganon ao reino. O que pode causar mudanças e rupturas na timeline que viremos a conhecer em Breath of the Wild.

Isso não chega a ser spoiler, uma vez que é algo que está na demo e é literalmente os 10 minutos iniciais do jogo.

Logo após a primeira cutscene somos jogados direto na ação, sem selecionar uma missão, sem acessar um menu. Apenas a batalha e o herói designado a proteger a princesa. Jogadores de Hyrule Warriors anteriores vão se sentir totalmente em casa, porque muitas das mecânicas do primeiro jogo foram mantidas. Tem muita novidade que ainda vou passar com cuidado por cada uma delas durante essa análise, mas a familiaridade é a chave para o bom funcionamento de uma franquia.

Mas quem está chegando agora no musou não vai ter dificuldade alguma em entender o que está acontecendo. O jogo possui comandos simples em seu funcionamento, e todos eles são explicados de forma clara e objetiva durante as batalhas. Mesmo que você esteja rodeado de inimigos logo no começo do jogo, os tutoriais de Age of Calamity cumprem seu papel de ensinar ao jogador como sair vitorioso dessa primeira investida, e se preparar para as próximas.


MELHORIAS NECESSÁRIAS

Quem já se habituou com o primeiro Hyrule Warriors sabe exatamente onde ir para fundir armas, vender, remover e adicionar selos, mesclar, e outras tarefas que utilizam os rupees adquiridos na batalhas [e também pode te garantir uma graninha nas vendas]. Mas estar habituado não quer necessariamente dizer que esteja feliz com o sistema, pois ele é complexo e cheio de menus a serem navegados, deixando o sistema cansativo e pouco funcional.

Em Age of Calamity, tudo acontece no mapa de Hyrule, aquele imenso mapa que conhecemos de Breath of the Wild, e todas essas mecânicas que estavam presas em sub-menus no primeiro jogo, agora são acessíveis com o toque de um botão. Facilitando a melhoria dos personagens, o manuseio das armas, as compras e vendas de itens, e até o acesso às partidas da jornada principal do jogo e às missões paralelas, que antes eram em menus separados e agora estão todas unificadas.


THE DIVINE BEASTS… NÃO SÃO TÃO DIVINAS ASSIM

Uma das maiores novidades em Age of Calamity, em relação a Breath of the Wild, é a possibilidade de comandar as Divine Beats em algumas missões do jogo. E no papel, em um primeiro momento, isso parecia genial. Na prática realmente também é. Mas apenas na primeira vez.

Infelizmente os desenvolvedores não souberam a hora de parar, e as missões das Beats se arrastam por todo o jogo, em momento desnecessários, que poderiam ser substituídas por uma cutscene, pois são cansativas ao extremo, repetitivas e entediantes. A novidade deixa de ser novidade com muita rapidez e se transforma em uma obrigação chata. Os objetivos são vazios e muitas das vezes frustrantes. Nada muda depois da primeira vez, e elas se estendem por mais tempo do que parece necessário.

Um dos pontos mais emocionantes e atrativos de BotW, que é o encontro com as Beasts, acaba banalizado pela falta de criatividade em Age of Calamity.


LUTE COMO UM CHAMPION

Hyrule Warriors não é apenas um musou com skin de Zelda. Vai muito além disso, e  isso vale para qualquer jogo Warriors/Heroes de outras franquias. Mecânicas são adaptadas, armas, personagens com características específicas. Tudo para que a experiência seja a mais próxima possível de qualquer outro jogo daquela série. Mas ele não deixa de ser um musou. E por mais que seja com a essência de Zelda, não é um estilo que se adapta a todos os jogadores.

Muitas vezes o gameplay pode se tornar repetitivo e cansativo, dependendo do que cada um está habituado a jogar. Em Age of Calamity isso acaba sendo ainda mais evidente pela pouca variedade de armas para cada personagem, em relação ao primeiro jogo da série, por exemplo.

Mas em contrapeso disso, existe uma variedade maior de elementos e golpes secundários, que oferecem uma gama maior de opções ao jogador, permitindo assim que as batalhas, que muitas vezes podem parecer mais do mesmo, sejam realizadas de formas diversas, e com estratégias e técnicas únicas de cada jogador, dependendo de qual personagem você leva, qual arma você decidiu deixar mais forte, e outros pequenos detalhes e elementos que podem influenciar diretamente no resultado final, como cozinhar algo antes de batalhar ou escolher uma roupa diferente para um guerreiro específico.

Todo o sistema do musou é baseado no gerenciamento de sua equipe. Principalmente se você estiver jogando no single-player. Na maioria das vezes, você vai estar com um grupo de 02 a 04 personagens, e deve controlar todos eles para obter sucesso em suas missões, seja enviando todos para o mesmo lugar, no intuito de enfraquecer um inimigo, ou espalhando-os pelo mapa, para cobrir uma área maior e poder alternar entre eles e completar cada missão com mais rapidez, eficiência, e coletando mais itens [não se esqueça de ficar atento ao aparecimento de Koroks e baús].

O multiplayer, obviamente, facilita o processo. É muito mais prático cobrir terreno e derrotar os inimigos aos gritos de “ali, no canto do mapa”, “não, vai pra lá”, “lá, naquele pedacinho, ó, o inimigo é o que tá piscando em dourado, esquece as bolinhas vermelhas”. A experiência é mais divertida e gratificante com alguém te acompanhando em tempo real. A única crítica fica em relação à tela dividida, e não terem investido em um multiplayer local em que cada jogador controla sua ação na tela do seu Switch, uma vez que a Tecmo fez a experiência perfeita no Wii U em que um jogador via a ação pela TV e o outro pela tela do GamePad, sem precisar dividir. E por mais que a taxa de quadros sofra uma queda ainda maior no modo de tela dividida, não é algo que chega a estragar a experiência.


PARA SALVAR HYRULE, PRIMEIRO PRECISAMOS DESTRUÍ-LA

Talvez o ponto mais alto do jogo seja ver Hyrule intacta, com toda a sua glória, antes de Calamity atacar, se transformando aos poucos na terra desolada de Breath of the Wild. Um lugar destruído, vazio, muitas vezes assustador, mas que nos habituamos a vê-la desta forma. E assim, à medida em que lugares como Akkala Citadel, Fort Hateno e até o Great Plateau vão sendo devastados e destruídos durante suas missões, podemos ver e reconhecer como tudo foi tomando forma para ser a Hyrule que passamos centenas de horas explorando em BotW.

A Koei e a Nintendo trabalharam em conjunto para que cada detalhe fizesse a diferença ao explorar o mundo de AoC, e nos permitir reconhecer todas as referências, não apenas a BotW, mas a alguns outros jogos da série que a própria jornada pela Hyrule devastada nos proporciona. Por mais que as batalhas de Calamity sejam frenéticas e muitas vezes mal se tem tempo de ver o que acontece ao nosso redor, parar para apreciar um cenário porque ele chamou nossa atenção por ser algo que homenageia a série de alguma forma é inevitável na maioria das vezes.


AGE OF THE WILD

Hyrule Warriors – Age of Calamity foi anunciado como um prequel de The Legend of Zelda – Breath of the Wild, e sem poder falar muito da história, ou mais precisamente sem poder falar nada para não estragar a experiência de quem ainda não jogou, ou ainda não terminou, é fácil dizer que ele cumpre esse papel, e ainda se propõe a fazer algo ainda maior e melhor do que lhe foi estabelecido inicialmente.

Um jogo que veio para enriquecer a lore da série, engrandecer uma franquia que sempre soube como se reinventar e propor algo novo. E em 2021, quando The Legend of Zelda completa 35 anos, veremos muitas coisas novas que serão bons frutos do que Breath of the Wild plantou lá em 2017 e Age of Calamity acabou de plantar no finalzinho de 2020.


Esta análise foi feita com cópia gentilmente cedida pela Nintendo.