REVIEW | MONSTER HUNTER RISE abraça os novos jogadores como nenhum outro jogo da série

Monster Hunter sempre foi uma série que soube balancear bem seu modo single-player com o multiplayer. E em Rise não é diferente.

Como alguém que já tentou jogar Monster Hunter diversas vezes, e nunca se adaptou ao estilo do jogo, sempre me coloquei em uma situação de tentar novamente, e mais uma vez, e outra vez, e cada vez com menos esperança de que fosse funcionar, de que eu fosse me encontrar em algum desses jogos, que pudesse me sentir abraçado. A impressão que tinha era que, cada vez mais, Monster Hunter era feito apenas para quem já jogou, e os novos jogadores tinham que pegar o ritmo ou ficariam para trás. Não estava totalmente errado, tanto que algumas mudanças drásticas tiveram que acontecer para que Monster Hunter Rise fosse o game mais amigável da série, disposto a agradar jogadores de longa data, e trazer novos aliados às caçadas.


CAÇADORES DE MONSTROS SUBINDO

Literalmente.

Monster Hunter Rise traz três novidades importantes para a série, e que ajudam os novos jogadores a se sentir em casa dentro da franquia.

A primeira é a adição dos Palamutes, e como o jogo está totalmente localizado em PT-BR, os chamamos de Amicães. Os adoráveis cachorros chegam para fazer companhia ao seu jogador, e aos Palicos, os Amigatos. Mas eles vão além de parceiros de luta, servindo também de montaria para o jogador, permitindo uma maior mobilidade ao personagem, um dos pontos positivos de Rise, uma das táticas para trazer novos jogadores. Permitir que eles se movimentem com mais facilidade. Os amicães já são rápidos em sua natureza, e ainda possuem um botão de correr, deixando tudo ainda mais dinâmico.

E aqui devemos tirar o chapéu para a CAPCOM, que com a RE Engine, permitiu que o jogo rodasse de forma primorosa no Switch, carregando as áreas do jogo de forma inteiriça e orgânica, você se movimenta com velocidade e livremente sem loadings, sem travamento, sem queda na taxa de quadros. O jogo roda de forma suave como se não fizesse o mínimo esforço. Um feito tecnológico realizado com um produto desse porte.

A segunda novidade é o cabinseto. Um inseto que fornece um cabo [cabo+ inseto] que te permite subir montanhas, se pendurar no ar, realizar pulos distantes e também funciona como arma quando você o atira nos monstros. dependendo de onde ele prende, o dano pode ser significativo e vital para o sucesso das batalhas.

O cabinseto é a grande estrela de Rise, ele vai ser útil o jogo todo, em todos os momentos, é utilizado em cutscenes, e tem um leque de funcionalidades que deve ser compreendido, estudado e pode fornecer vantagens aos que o fizerem, assim como qualquer classe de arma do jogo. O cabinseto é basicamente uma nova classe de armas, mas que está sempre com você, não precisa ser equipado e pode ser utilizado a qualquer momentos [com utilizações limitadas, mas que carregam automaticamente após o uso].

E o cabinseto nos leva à terceira adição para atrair os novos jogadores: a montaria dos monstros, que não é necessariamente uma novidade, mas tem seu funcionamento aprimorado, permitindo que você trave batalhas ferozes entre dois monstros que estão no mesmo cenário, facilitando assim a caçada e captura do que você está caçando, uma vez que a montaria pode causar bastante dano no monstro alvo desde que executada da forma correta.


PARA CAÇADORES SOLITÁRIOS OU EM GRUPOS

Monster Hunter sempre foi uma série que soube balancear bem seu modo single-player com o multiplayer. E em Rise não é diferente. O jogo possui uma campanha sólida, completa e cheia de desafios para quem quer se aventurar sozinho. Saber melhorar suas armas, treinar diversos equipamento diferentes, combiná-los com sua armadura, levando os suprimentos corretos e ter a ajuda dos amicães e amigatos é o segredo para missões bem sucedidas. Quando mais você joga e se envolve, mais você aprende sobre as mecânicas, sobre as fraquezas dos monstros, e melhor você progride em sua aventura. Um caçador bem treinado consegue ultrapassar qualquer desafio que aparecer em seu caminho. E isso faz com que o modo single-player seja completo e atrativo.

Mas para quem gosta de caçar com os amigos. O jogo oferece todo esse conteúdo em divertidas e desafiadoras batalhas locais e online, permitindo que até quatro jogadores cacem os temidos monstros, dividindo experiências e histórias que serão lembradas por muito tempo. Quanto mais você luta e se aventura, maiores serão as dificuldades das missões seguintes, e assim você vão ganhando experiência e criando um vínculo juntos, protegendo a vila.

Esse contraste de modos de jogo amplia a experiência, fazendo com que Monster Hunter Rise seja um jogo para todos os tipos de público, não importa qual seja seu estilo de jogar.


A BAGUNÇA É GENERALIZADA… ORGANIZE-SE

Rise trouxe um novo modo de jogo: O Frenesi [Rampage pra quem está jogando em inglês]. Aqui, os jogadores precisam organizar diversas armas de grande porte e barreiras para impedir o ataque de um grupo de monstros que se organizou para tomar a ilha de assalto. O sistema de tower defence deve ser organizado antes do ataque, e mantido durante o tempo de sua duração. Saber se organizar para atacar os monstros certos no momento certo com as armas certas é crucial para o sucesso da missão.

Jogar com amigos deixa a experiência mais divertida, e muito mais fácil de realizar. Com mais jogadores, vocês podem dividir as tarefas, e até delegá-las, facilitando o controle de todas as armas e mantendo o ataque sob controle por mais tempo. As missões do frenesi são importantes para o desenvolvimento da história, mas a partir do momento que você faz a primeira, elas ficam em um menu separado, permitindo que o jogador as ignore caso não tenha se acostumado com o estilo ou esteja encontrando dificuldades em realizá-las.


MAIS ALTOS DO QUE BAIXOS

Monster Hunter Rise peca em muitas problemáticas da série. Não foi capaz de oferecer uma demo atrativa a novos jogadores, como sempre faz. Por mais que nessa tenha tido um modo na arena de treino. Muitos menus são confusos, muita informação é jogada nos novatos na série, criando mais confusão do que ajudando em momentos de tutorial. Mas no final o resultado é positivo pela grandiosidade do jogo e a forma em como ele é apresentado e introduzido dentro da franquia Monster Hunter.

E aqui vale parabenizar a CAPCOM por dois feitos: O de fazer um jogo desse porte e com essa estrutura rodar de forma primorosa no Switch, e o de traduzir tudo para PT-BR, facilitando a entrada na franquia de jogadores que não têm familiaridade com o inglês.

Na dúvida, a demo está na eShop, e por mais que ela possa parecer ter sido feita para veteranos, e de uma certa forma ela foi mesmo, utilize as batalhas da arena para se familiarizar com as mecânicas do jogo e não se assuste quando parecer que ele quer te empurrar pra fora da série. Monster Hunter Rise mudou muito de sua estrutura para que novos caçadores pudessem se juntar ao grupo, e esse trabalho ele está fazendo muito bem. É o jogo mais amigável da franquia e propõe mudanças que são benéficas por entrar na categoria “qualidade de vida” do jogador. Indispensável para quem busca uma aventura inesquecível no Nintendo Switch.


Esta análise foi feita com código gentilmente cedido pela CAPCOM e pela Nintendo.