REVIEW | MORTAL KOMBAT 11 ULTIMATE é a versão definitiva do melhor capítulo da franquia

O “The Game Awards” de 2018 estava repleto de atrações e novidades. Uma delas foi que Mortal Kombat 11 seria lançado em alguns meses e que chegaria para o Nintendo Switch.

Mortal Kombat 11 chegou no início de 2019 para o Nintendo Switch. Um feito técnico impressionante para o pequeno híbrido e que deixou muitos de queixo caído ao ver performance do jogo no console, mesmo com alguns probleminhas a serem ajustados. Quase dois anos (vários patchs e DLCs) depois, a NetherRealm reuniu tudo e lançou a já esperada edição completa, agora chamada de Mortal Kombat 11 Ultimate, que contém todas as melhorias, os dois pacotes de personagens extras e a DLC que expande a história e adiciona mais lutadores ao Kombat.

LÁ E DE VOLTA OUTRA VEZ

Desde a primeira aparição de Mortal Kombat em 1991, a franquia se tornou não somente um grande jogo de luta como um produto da cultura pop no geral, extrapolando os videogames. Seja na grande controvérsia envolvendo sua violência exagerada ou nas séries animadas e filmes sendo produzidos constantemente, as criações de Ed Boon e John Tobias dominaram o mundo.

Um pouco da popularidade havia se perdido na migração dos jogos em 2D para os 3D, mas foi recuperada com o lançamento de Mortal Kombat em 2011, que pegava carona no sucesso de Street Fighter IV de 2009. O jogo começava no final de Armageddon, título cronologicamente anterior, que mostrava Raiden utilizando os poderes do Amuleto de Shinnok para retornar ao passado e alertar seu antigo eu sobre o que viria a acontecer. O divertido e inédito modo campanha do game servia para criar novos rumos para a história, alterando acontecimentos dos torneios dos jogos originais.

Em 2015, Mortal Kombat X chegava para avançar a jornada, recontando a história a partir do quarto jogo da série, mas já sob os efeitos das alterações de Raiden. Personagens antes mortos estavam presentes, incluindo seus filhos e parentes. O game terminava com Raiden incorporando uma versão mais carrancuda, sem esperanças, que decide exterminar ameaças ao plano terreno antes mesmo que se tornem inimigos.


CHOQUE DE GERAÇÕES

Esse breve resumo dos jogos anteriores se faz necessário para chegarmos a Mortal Kombat 11. As alterações no tempo causadas pela interferência de Raiden despertaram a ira de Kronika, Titã que controla o tempo. Na busca de retornar tudo ao curso original que havia planejado, a vilã tenta reunir Kombatentes para sua causa, prometendo a eles vitória diante dos inimigos, e até mesmo conforto para as depressões causadas pelas alterações do Deus do Trovão.

Kronika então rompe as barreiras do tempo, unindo duas eras, fazendo com que presente e passado se encontrem, e antigos personagens estejam de volta para ajudá-la. Da mesma forma que Shao Khan e seus aliados retornam, Raiden e seus heróis também ressurgem, criando um encontro de gerações.

Enquanto Mortal Kombat X levava a série para novos rumos, como Scorpion não sendo mais um fantasma e os guerreiros do bem Liu Kang, Kung Lao e Kitana se aliando as causas do mal em formas de zumbis, o novo jogo tenta encontrar uma desculpa para trazer tudo de volta ao que era antes. A viagem no tempo serve apenas como pretexto para que as novidades vistas no capítulo anterior possam conviver com o passado da franquia.

A jornada pelo modo história continua sendo divertida e uma das melhores coisas que a série possui atualmente. O confronto entre versões mais jovens e mais maduras dos personagens coloca em evidência o amadurecimento deles, principalmente quando os mais novos tomam atitudes ou falam coisas que os mais velhos não concordam ou não fariam mais. O embate entre Scorpion e Hanzo Hasashi, a versão humana do Ninja amarelo, é um dos grandes momentos de toda a série, e o encontro dos dois Kanos tem um tom divertido. Os melhores momentos desse choque de gerações ficam mesmo com Johnny Cage, que certamente é o que mais precisou amadurecer durante os anos, e não se parece mais nada com sua versão egocêntrica dos anos 90. Mesmo sendo um grande atrativo, a história do jogo não é tão profunda e cheia de reviravoltas, tudo não passa de um grande Casos de Família violento e serve como contexto para o que realmente importa, vísceras à mostra.


SANGUE E MAIS SANGUE

Com a melhoria gráfica dos vídeo games nos últimos 20 anos, esperamos cada vez mais violência explícita dos jogos da série. Os pequenos sprites dos arcades dos anos 90 ganharam dimensões e texturas e foram ficando cada vez mais realistas ao longo dos anos. E Mortal Kombat 11 é o ápice. Ao sair do estilo mais cartunesco e adotar um visual mais realista, a NetherRealm consegue tornar tudo ainda mais chocante e impactante. Os desmembramentos e decapitações geram caretas nos desavisados por terem tantos detalhes. Cérebro, língua, intestino e olhos, muitos, muitos olhos voando por todos os lados tornam a violência um misto de real com caricato.

O exagero do que estamos vendo torna tudo implausível e por mais que as texturas e modelos sejam de pessoas, aqueles acontecimentos beiram a comédia. Por não gerar consequência aos personagens, que após terem suas gargantas cortadas e seus corações perfurados, levantam como se nada estivesse acontecido. A violência vista é apenas vazia. Quando o game precisa realmente matar uma personagem logo no início do modo história, a sensibilidade é bem diferente, o que rende um momento muito emocionante entre dois personagens.


O MELHOR MORTAL KOMBAT EM MUITOS ANOS

E não só de violência vive um jogo de luta sangrento como Mortal Kombat 11 Ultimate. Se as mecânicas não fossem satisfatórias, o visual não seguraria os jogadores por muito tempo. A NetherRealm vem aperfeiçoando a série desde que colocou as mãos nela e agora chegou ao seu ponto mais alto. No primeiro momento que começamos a jogar percebemos o quanto as lutas evoluíram em relação aos capítulos anteriores. Os visuais detalhados não se resumem apenas aos gráficos impressionantes, mas também nas animações, algo que os jogos de luta utilizam bastante. Toda a fluidez dos movimentos ajuda a melhorar a experiência dos jogadores que conseguem criar novas estratégias de combate. Cada soco e cada chute é percebido. Ao pressionar uma série de botões para executar combos, o personagem responde da maneira esperada, e todos os golpes são perfeitamente visíveis, sem nenhuma animação truncada ou emendada na outra. Um primor.

As lutas contam com todos os elementos conhecidos dos games do gênero, como ataque, defesa e várias barrinhas que ajudam o jogador a conseguir vantagens. Essas barras são preenchidas ao receber ou causar dano, e são utilizadas para aprimorar golpes ou escapar de algum combo. Quando o medidor de vida está abaixo dos 30%, o lutador pode desferir o Fatal Blow, golpe mortal com animação violenta e estilizada que detona com boa parte da vida do inimigo e, se utilizada no momento certo, pode fazer o jogo virar.

Se inspirando fortemente nos clássicos de luta japoneses como Street Fighter, a NetherRealm finalmente coloca Mortal Kombat na elite dos jogos de luta competitivos. Não que os games anteriores não fossem, mas sempre existia algum problema de balanceamento que o tornava mais um jogo médio de luta do que um dos grandes figurões do gênero. Dessa vez Raiden caminha lado a lado de Ryu em termos de qualidade técnica.


LUTAR COM ESTILO REQUER DEDICAÇÃO

A caracterização e os modelos dos personagens são os mais bonitos já feitos pela NetherRealm. Não importa se é lutador ou lutadora, os Kombatentes estão lindos. Alguns emprestam o design de outro jogo da desenvolvedora, como Injustice. Os novos Geras, Cetrion e Kronika, que claramente se encaixariam no game da DC sem dificuldade. Eles carregam o DNA dos heróis até mesmo em suas formas de lutar, com projéteis e poderes sobrenaturais para conduzir sua luta, o que traz mais variedade aos estilos do game. Diferente do episódio anterior, Mortal Kombat 11 possui mais cores, é mais vivo e vibrante. A beleza visual não se destaca apenas nos gráficos, mas também na escolha da arte e elementos de tela, deixando o game mais atraente e divertido como deve ser.

Outra grande novidade é a possibilidade de customizar seu personagem favorito e deixá-lo do jeitinho que o jogador gosta. As opções são quase infinitas e leva bastante tempo para conseguir desbloquear tudo. Ir atrás dos itens do seu lutador preferido requer dedicação e um pouquinho de habilidade, já que alguns estão disponíveis apenas em lutas online da Kombat League. É possível trocar a cor das roupas, o estilo delas, a máscara, óculos, acessórios de punho, pernas, braços e inúmeras outras coisas.

Também é permitido mexer um pouco nas habilidades, já que o jogo predetermina alguns estilos de luta para cada Kombatente. Misturar as formas já existentes e criar o seu modo de lutar é muito bacana, porém jogar com os poderes alterados não é permitido em partidas oficiais competitivas.

Você pode encontrar esses itens de customização pelo jogo de diversas formas. Uma delas é jogando as Torres. Existem as clássicas, que estão aí desde que Mortal Kombat surgiu, mas agora possuem diferentes tamanhos e até mesmo uma infinita. Também temos as Torres do Tempo, que se alternam dependendo do prazo de cada uma. Sempre que entramos no modo existe uma torre nova para desbravar. Essas possuem diferentes desafios, como derrotar mais de um inimigo com metade da sua vida, ou aguentar uma luta em que mísseis do Sektor lhe perseguem depois de alguns segundos. São várias possibilidades, que lembram até os velhos Kódigos usados em Mortal Kombat 3, que alteravam a forma de se jogar. Claro que no novo jogo existem mais variações e algumas delas são bem difíceis de conseguir. As Torres de personagens dão acesso a itens de lutadores específicos e possuem vários níveis. Ao final de cada um, customizações mais raras e até mesmo novas introduções de luta, provocações e finalizações surgem nelas.

Se estiver passando por dificuldades para terminar os desafios, alguns itens de melhoria podem ser usados, como cristais que recuperam vida, armas que acertam o oponente de vez em quando, ou vantagens no cenário podem facilitar as coisas. Esses artefatos são conquistados ao longo do jogo em seus diversos modos.


PASSEIO NOSTÁLGICO

Outra maneira de colocar as mãos nos itens é a Kripta. As ruínas da Ilha de Shang Tsung são palco para um pequeno modo aventura, onde o jogador passeia por lugares clássicos e nostálgicos dos primeiros jogos, abrindo baús e resolvendo enigmas para desbloquear itens de customização, artes do jogo e até mesmo golpes finalizadores. Muita coisa pode ser encontrada nesse lugar, mas se prepare para lidar com todo o sistema monetário do jogo. São moedas, corações, almas e cristais que podem causar confusão a quem está chegando agora. Eventualmente nos acostumamos, mas esbarramos com algum desafio que precisa ser completado fora da Kripta para continuar avançando, forçando o jogador a tentar outros modos e voltar depois.


MORTE, DECAPITAÇÃO E CARINHO

Os famosos Fatalitys estão de volta e, como mencionei, mais sangrentos do que nunca. Juntos dos Brutalitys, formam as finalizações mais violentas dos joguinhos de lutinha. Mas existem formas piores de humilhar seu adversário. Ao ouvir a frase “Finish Him/Her”, o jogador pode executar o Mercy, que traz de volta o oponente com a barra de vida reduzida, que por sua vez tenta reverter a luta, mas corre o risco de perder pela segunda vez.

A versão Ultimate já traz a atualização vista em Aftermath, que adicionou os Fatalities de cenário e os divertidos Friendships à equação. Ao invés de exterminar o rival, o lutador demonstra afeto. Scorpion por exemplo usa sua corrente com ponta de lança para puxar um ursinho e abraçá-lo. Johnny Cage performa um número de dança e Milenna convida todos à mesa para um chá de bonecas. É sempre divertido descobrir o Friendship de cada um.


ENSINAR PARA ATRAIR MAIS JOGADORES

Ao passar dos anos, os jogos de luta foram ganhando novos elementos e formas, se tornando muito complexos e pouco atrativos para quem estava começando. Em 2009 a Capcom percebeu isso e simplificou muitos dos sistemas de Street Fighter IV, mas sem perder a profundidade adquirida ao longo dos anos. Mortal Kombat 11 dá um passo além, criando o melhor sistema de tutorial de um jogo de luta até hoje.

Explicando desde o básico, como se movimentar dentro do cenário, até o mais avançado sistema de contagem de frames de cada animação, a NetherRealm se esforçou ao máximo para deixar claro a todos como o jogo funciona. Dessa forma oferece a quem está começando a possibilidade de se tornar o verdadeiro mestre das artes marciais digitais. Parabéns aos desenvolvedores que conseguiram não só agradar os fãs de longa data, mas trazer novos jogadores para o gênero.


MORTAL KOMBAT 11 NO NINTENDO SWITCH

O “The Game Awards” de 2018 estava repleto de atrações e novidades. Uma delas foi que Mortal Kombat 11 seria lançado em alguns meses e que chegaria para o Nintendo Switch. A notícia de que o híbrido da Nintendo receberia um jogo com um desempenho gráfico de ponta deixou muita gente desconfiada em relação à performance do game. Quando foi lançado em Março de 2019, inclusive no mesmo dia das outras plataformas, as desconfianças deram lugar a uma certeza. O jogo está espetacular no pequeno Switch.

Claro, algumas concessões precisaram ser feitas, como texturas em baixa resolução ou completamente removidas, efeitos visuais, iluminação e partículas reduzidos e até mesmo a fluidez dos menus era um pouco diferente das versões dos consoles maiores, mas no geral, estava tudo lá.

Por ter jogado bastante o game no PlayStation 4, consegui ter uma noção grande de como os jogos se comparam em vários sentidos. Os menus, como já mencionei, não são tão fluidos, alguns pequenos engasgos acontecem em transições de tela, mas nada exagerado. Inclusive a resolução menor está presente nos elementos de tela, que aparecem mais pixelados na TV. Quando em portátil, por conta da resolução menor da tela, não se tem essa percepção.

A tela de seleção de personagens não conta com a mudança da imagem estática para o modelo 3D do personagem, o que é uma decisão bastante sábia para economizar memória e até mesmo diminuir o tempo de carregamento no console. A escolha de estágio também não tem uma pequena simulação da luta que ocorre com silhuetas dos lutadores, mas tudo feito para evitar que o console perca tempo demais processando aquelas informações.

Durante as partidas, existem dois momentos: As cenas de corte, como as introduções, Fatal Blow e Fatalitys e a luta em si. É perceptível que os desenvolvedores priorizam o combate  para deixar o gameplay fluido e é o que importa. Durante os momentos mais cinematográficos, a fidelidade visual é um pouco reduzida e a taxa de quadros cai pela metade. Vale ressaltar que é algo que já acontece em todas as versões do game, não somente no Switch, mas aqui, dependendo do cenário e da animação que vamos presenciar, a taxa reduz ainda mais.

Pelos e cabelos foram os que mais sofreram reduções visuais. A resolução deles foram diminuídas a ponto de muitas vezes parecerem apenas borrões nas cabeças dos personagens.

O modo campanha precisou sofrer algum ajuste para funcionar. As cenas de história são apenas vídeos, não foram renderizadas em tempo real pelo aparelho, o que deixa a transição para os gráficos do console bem evidente. Quando em luta, tudo funciona normalmente.

O modo online também sofre um pouco. Não sei ao certo se é culpa do modem wi-fi do console ou dos servidores, mas a qualidade oscila muito. Você pode entrar em uma luta que tudo está rodando perfeitamente e em segundos parecer uma batalha em câmera lenta. Não tive dificuldades de encontrar partidas, há uma quantidade boa de pessoas jogando, mas a maioria delas não funcionou como deveria.

A Kripta talvez seja o modo que mais sofreu reduções. No Switch os gráficos dessa jornada estão totalmente embaçados. O céu presente nas outras versões foi removido por completo e as texturas estão irreconhecíveis em alguns momentos. Mas como esse modo existe apenas para coletar itens, não atrapalha muito e foi possível explorar numa boa.

Mesmo com todas as reduções da versão de Nintendo Switch, o game é totalmente satisfatório no console. O visual mais simples é esperado por conta do hardware mais limitado, e mesmo assim o jogo se destaca em sua beleza, tudo continua lindo. Os cenários não sofreram modificações e funcionam como nas outras plataformas em que o game foi lançado, com direito aos elementos que se movimentam e causam alterações nos ambientes. Quanto ao gameplay, está impecável, e os combates são bem satisfatórios.

Observando a experiência no geral, foi tudo quase igual no PlayStation 4. Todas as alterações e reduções visuais não afetam o cerne do jogo, que é o gameplay. O único pecado está mesmo no modo online, mas acredito que um adaptador para rede com fio solucione o problema.


MAIS KOMPLETO IMPOSSÍVEL

Quando falamos de versões de outros jogos em consoles portáteis, a gente já pensa no que vamos perder além dos visuais, e a resposta nesse caso é: nada. Tudo está completo, todos os modos, campanhas, personagens, tudo em seu lugar. Em comparação com a versão de Mortal Kombat 9 para PS Vita, que é outro jogo completamente reduzido em relação aos maiores, Mortal Kombat 11 está impecável na palma das suas mãos. Inclusive o modo portátil é sim a melhor maneira de curtir o game, mas mesmo na TV o jogo tem bons visuais.

Se observarmos também outros jogos da desenvolvedora para consoles Nintendo, Injustice para Wii U possui bons gráficos, boa performance, mas o modo online não sofria somente por problemas de rede, carecia também dos principais modos de jogo, como por exemplo realizar partidas entre amigos. MK11 não tem nenhuma perda nesse quesito.

Pessoas relataram alguns problemas de bugs, desligamentos e travamentos nos primeiros meses, mas tudo foi corrigido com o passar do tempo e a edição Ultimate já traz todas as melhorias embutidas, além dos pacotes extras de conteúdo.


NOVOS PERSONAGENS, NOVA HISTÓRIA E MUITO CONTEÚDO

Ao longo de quase dois anos, Mortal Kombat 11 recebeu alguns conteúdos extras pagos e gratuitos. O primeiro foi o Kombat Pack, que trazia novos personagens como Sindel, Shang Tsung e alguns convidados, como Coringa e Terminator, que foram lançados ao longo de 2019. Em 2020, Aftermath foi uma grande surpresa, já que além de trazer mais três personagens extras, expandia o modo história com a campanha que dá nome ao DLC. Esse pedaço extra da história, que traz Shang Tsung retornando como grande vilão, pode ser acessado a qualquer momento e dá continuidade aos acontecimentos anteriores, principalmente tendo em vista que o final original deixava muitas dúvidas sobre o futuro da franquia. Junto dele os Friendships foram disponibilizados gratuitamente até mesmo para quem não comprou o pacote.

Mileena que estava tentando entrar na festa finalmente conseguiu se sentar na mesa ao lado de Scorpion, Kitana e Sub-Zero no Kombat Pack 2. Ela e Rain retornaram aos combates trazendo Rambo como convidado dessa vez.
Todos esses conteúdos já estão dentro do pacotão Mortal Kombat Ultimate, e claro, é a melhor forma de entrar no game para quem ainda não o adquiriu.


AQUELE SOM METÁLICO SATISFATÓRIO

A trilha sonora de Mortal Kombat 11 não possui momentos marcantes, mas pontuam bem os acontecimentos. No quesito sonoro precisamos aplaudir todo o design de som. Dignos de premiação, os desenvolvedores conseguiram transpor ao jogador o impacto dos golpes. Cada soco, cada chute, cada pancada é ouvida com nitidez. Os braços de ferro de Jax tem um barulho característico e satisfatório. As correntes do Scorpion tem um som bem realista e até mesmo o gelo de Sub-Zero recebeu atenção especial. Os áudios usados para representar cortes e perfurações chegam a causar um desconforto de tão bem feitos que estão. A indicação para melhor Design de Som no The Game Awards 2019 não foi por acaso.


BAITA IMITAÇÃO DE NINJA?

E para coroar todo o trabalho de áudio do game temos a localização para o nosso idioma. Um excelente trabalho dos estúdios escolhidos pela Warner, seja na atuação dos dubladores, quanto na tradução dos textos, que receberam adaptações divertidas e assertivas para o português. As gírias e termos característicos do inglês fazem sentido por lá, mas para nós nem tanto, portanto trocá-los por jargões usados pelos brasileiros é o caminho mais correto. Ainda existem alguns momentos que surgem traduções literais e elas não encaixam na situação. Isso acontece porque os tradutores não recebem o contexto que algumas cenas aconteceram, fazendo com que uma ou outra frase soe solta. Um exemplo é o Fatality de Johnny Cage, que o personagem menciona os filmes que fez dentro do jogo, mas na tradução diz como se fosse uma frase qualquer e não um título. Ainda bem que esses momentos são poucos e nada atrapalham no bom trabalho dos responsáveis.

Em 2019, a série Mortal Kombat recebeu sua melhor versão. Gráficos de primeira, arte belíssima, jogabilidade refinada e ainda mais violência marcaram o lançamento de Mortal Kombat 11. O anúncio do jogo para o Nintendo Switch pegou todo mundo de surpresa, deixaram alguns céticos, mas no final o game no console é bastante satisfatório e nada perde em experiência para as versões dos aparelhos grandões. As lutas refinadas e o excelente tutorial fizeram a franquia finalmente assumir um importante lugar na comunidade dos jogos de luta e os fãs de longa data não poderiam ficar mais satisfeitos.

O pacotão Mortal Kombat 11 Ultimate traz tudo que chegou ao jogo ao longo de quase dois anos de seu lançamento e é sem dúvidas a melhor forma de entrar no jogo atualmente com excelente custo-benefício. Amantes do gênero de lutinhas estão mais que bem servidos nesse que é sem dúvidas um dos melhores games da geração. Caso alguém não tenha familiaridade com o estilo mas gostaria de tentar, o tutorial oferece ferramentas efetivas para ensinar até o jogador mais leigo como um game de luta funciona, portanto, se jogue de cabeça, mas tente não ficar sem ela.


Esta análise foi feita com cópia gentilmente cedida pela Warner Bros. Games.


Revisão: Angelo Mota