REVIEW | POKÉMON LET’S GO, PIKACHU! E EEVEE trazem um fôlego novo para a franquia

Será que Pokémon Let’s Go, Pikachu! e Pokémon Let’s Go, Eevee! (novas adições à série de jogos dos monstrinhos de bolso) são para você?

Será que Pokémon Let’s Go, Pikachu! e Pokémon Let’s Go, Eevee! (novas adições à série de jogos dos monstrinhos de bolso) são para você?

Bom, se você é um novato na série e acabou de chegar ao universo Pokémon, está conhecendo ainda os bichinhos um a um, se familiarizando com o mundo, os personagens, o universo criado. Todos os golpes são novidades e você ainda precisa entender como cada um deles funciona, quais tipos são dominantes sobre os outros e ainda é um pouco confuso entender cada uma das evoluções e se elas acontecem com nível ou por pedras ou por amizade… e como evolui por amizade afinal de contas? Se você se identificou com tudo isso… definitivamente os novos jogos são para você.

Agora, se você já passou por Kanto umas 200 vezes, conhece todos os jogos da série, e mesmo que não tenha começado lá no primeiro, no GameBoy, se considera um jogador veterano, conhece todas as gerações, e mesmo que não saiba de cabeça o nome de todos os Pokémon, conhece todos eles e sabe quais golpes são eficientes em cada momento, já viveu dezenas de aventuras, com centenas de personagens, e mais centenas de Pokémon, e passou por remakes, gerações, um jogo atrás do outro, luta no competitivo, tem uma box repleta de lendários, shinys, Pokémon de diversos níveis, formas, uma variedade enorme de níveis e sua coleção não para de crescer porque você já é um mestre Pokémon e não tá nesse universo para brincadeiras… então pode ter certeza, sem dúvida alguma, nenhuma dúvida, nenhuma mesmo, que sim, os novos jogos também são para você.

LET’S GO! TODO MUNDO

Quem acompanhou Pokémon Let’s Go! desde o primeiro anúncio e entendeu bem qual era a sua proposta, nunca teve qualquer tipo de dúvida sobre qual era sua proposta, porque ela sempre foi extremamente clara. Kanto iria acontecer de novo, mas era mais do que um remake ou um reboot. Era uma continuação da primeira aventura vivida neste universo. Da terceira, para ser mais exato, pois a base do jogo é Pokémon Yellow, não Red/Blue.

E sim, a Nintendo e Game Freak foram claríssimas sobre o que você iria encontrar no jogo. Apenas Kanto, apenas os 151 Pokémon, é exatamente a primeira geração, mas com uma amplitude de apelo que dificilmente fomos capazes de encontrar em qualquer jogo anterior da série.

Existe uma sensação de celebração nos novos jogos, uma grande homenagem a tudo o que a série representou para tantos jogadores nestes 22 anos explorando tantas áreas diferentes e capturando tanto monstrinhos. E é exatamente esse ponto que fala diretamente com os jogadores tradicionais. O jogo possui alguns aspectos que parecem engessados, como o ângulo fixo da câmera sendo o maior exemplo, provavelmente para que a homenagem ao jogo original fique marcada em toda a experiência. Se comparado ao que foi feito em X/Y e Sun/Moon, parece um retrocesso em técnicas, mesmo que tenha um salto grande em estilo, mas funciona para esse episódio em específico, e vendo o que a GameFreak já fez na série, podemos sim esperar algo bem diferente na 8ª geração. Mesmo que Let’s Go seja um teste para que a dev seja capaz de ver o que o Switch é capaz de fazer, isso não quer dizer que o próximo jogo seja bem diferente. E nós contamos com isso, então não utilize Let’s Go como base para o que pode vir a acontecer no jogo de 2019, mas veja-o como o que ele realmente é, uma comemoração [um pouco atrasada] dos 20 anos da série.

Vale a pena voltar para Kanto, ouvir tantas músicas que fizeram parte da nossa jornada como Mestres Pokémon, rearranjadas com melodias mais modernas, que se adaptam perfeitamente aos novos gráficos do jogo. Rever todos os personagens, todos os Pokémon em lindas texturas 3D. Poder andar com seu Pokémon fora da Pokébola e vê-los em escala pelo cenário, voar em um Charizard ou andar agarrado em um Snorlax. São sensações de nostalgia misturadas a novas experiências que sabem como pegar os jogadores mais tradicionais, até os que estavam olhando torto para o jogo desde o anúncio, e amolecer aos poucos seus corações com essa mistura de elementos. É bem difícil não jogar Pokémon Let’s Go sem um sorriso bobo no rosto. E isso é algo que a franquia sempre soube fazer, até nos jogos mais problemáticos.

LET’S GO! COM ALGO DIFERENTE

Nem todas as mudanças que o jogo oferece para se adaptar ao Nintendo Switch são boas. Mas as que são, elas são muito boas. Especialmente o fato de não precisar mais batalhar com Pokémon selvagens em encontros aleatórios. Apenas capturá-los. No início pareceu uma ideia bem ruim, mas quando você experimenta isso na prática, percebe que foi uma das melhores coisas que já aconteceu na série. Não ter que batalhar com cada pequeno Pokémon encontrado acelera um pouco o processo de captura e upgrade dos bichinhos, pois todos os seis que estiverem no seu time ganham pontos de experiência em cada captura. Isso torna a ação de sair pegando Pokémon mais orgânica, mais prazerosa, mais incentivadora e até mais divertida. Evita que você fique pensando em cada pequeno golpe para não matar sem querer aquele que você quer capturar, principalmente quando você está super forte e os Pokémon que você quer pegar estão super fracos. Acredite, existem outras formas de batalhar constantemente com Pokémon sem que seja com cada um deles, e contamos com que isso seja explorado de uma forma ainda mais inteligente na 8ª geração.

E já que falamos de encontros casuais, Pokémon Let’s Go criou o melhor sistema para isso, mostrando todos os Pokémon selvagens em matos, rotas e cavernas. Dessa forma, fica fácil escolher qual você quer pegar, e até fugir de encontros consecutivos, deixando o repelente totalmente obsoleto. Uma vez ou outra é difícil fugir pois o Pokémon aparece logo abaixo de você ou bloqueia seu caminho, mas aí é só escolher se vai capturar ou fugir. Não existe mais aquele temor de atravessar uma caverna com medo de encontros aleatórias com Zubats a cada 5 segundos. Ou de ter que atravessar tudo e explorar com os repels funcionando sem parar. A exploração ficou mais livre e você pega o Pokémon que você quer.

Já nos controles, encontramos o bom e velho ‘probleminha’ da Nintendo de impor situações ao invés de oferecer escolhas ao jogador. O sistema de jogar com apenas um joy-con na TV é prático e simples. Afinal de contas, com o menu simples do jogo e a câmera estática, você não precisa mesmo de mais de 2 botões e um analógico. Mas ser a única opção é algo que limita o jogador, principalmente quando ele não quer ficar arremessando bolas na tela com os controles do joy-con, ou quer utilizar seu pro-controller para jogar, pois acha mais confortável ou simplesmente porque quer escolher com qual controle jogar. O mesmo vale para o modo portátil, por mais que ele permita que você movimente a câmera da tela de captura com o direcional esquerdo, ele não te dá a opção de desligar o giroscópio, ou de utilizar o touch para arremessar bolas e frutas, ou até a ter um acesso mais rápido a elas. Apesar de tudo funcionar como deveria, nada nos controles do jogo são opções.

LET’S GO! PIKACHU E EEVEE

O jogo possui um carisma tão puro, algo que é presente em todos os episódios da série, mas que aqui aparece em uma quantidade absurdamente maior. E boa parte disso está na interação que você tem com seu inicial, Pikachu ou Eevee, depende da versão do jogo que você escolheu. Existe uma opção no menu exclusiva para ele, e ao acessar você pode fazer carinho, cócegas, receber presentes, ver o humor (e o mau humor) de seu companheiro, baseado no que vocês dois já viveram juntos. E se você pensou ‘ah, mas eu não vou ficar fazendo carinho no Pokémon’, apenas espere até isso acontecer uma primeira vez e verá como é viciante, e até relaxante em alguns momentos. Você também pode vesti-lo com diversas roupas e acessórios que você ganha durante o jogo, e até combinar com as suas, pois seu personagem também tem uma opção de guarda-roupa bem ampla, fazendo companhia a Mario e Link nessa leva de jogos do Switch que permitem customização total dos personagens.

E se você oferecer uma stone para seu Pokémon para que ele possa evoluir… bom… você vai arrumar um problemão.

POKÉMON [LET’S] GO

Um dos principais alvos desse jogo são os jogadores de Pokémon GO. Jogadores que não conheceram a série no console e que decidiram se aventurar no jogo de celular porque, apesar de oferecer transações dentro do app, pode ser jogado de forma totalmente gratuita e casual sem que você precise comprar upgrades. Desta forma, se aproximando da série, a Nintendo e a GameFreak agora chamam essas pessoas a conhecerem o Switch e conhecerem Pokémon exatamente onde tudo começou, em Kanto com os primeiros 151 Pokémon.

E isso fez com que os dois jogos tivessem uma ligação bem direta, mesmo que a conexão aconteça apenas em um caminho. Você pode transferir seus Pokémon do GO para o Let’s Go, conectando seu celular ao Switch, e então eles ficam disponíveis no GO Park, que você acessa na última cidade do jogo, obviamente, para que você possa capturá-los e então completar sua Pokédex. Alguns ficam bem ariscos, mas eles não desaparecem. Mesmo que fujam da captura, eles continuam no parque e você pode continuar tentando a qualquer momento.

É claro que você só pode transferir os Pokémon de Kanto, e os Pokémon de evento também não podem ir, como o Pikachu de óculos escuros e chapéu.

Mas esse é um dos pontos em que o jogo sabe dialogar muito bem também com jogadores mais experientes, porque estes também estavam colecionando Pokémon no celular, e também são fissurados em completar Pokédex, e eles não precisam ser convencidos a conhecer a série, então conectar os dois jogos era algo óbvio e que não tinha como dar errado, todo mundo sai ganhando com isso.

Você não pode passar Pokémon do Let’s Go para o GO, mas a Pokéball Plus, um acessório que lançado juntamente com o jogo e funciona como um joy-con permitindo que você possa jogar toda a aventura com ela quando estiver na TV, funciona tanto com o Nintendo Switch quanto com o celular, oferecendo novas opções aos dois jogos, criando um segundo vínculo entre eles, de uma forma mais indireta.

LET’S GO! A QUALQUER HORA, EM QUALQUER LUGAR

Pokémon Let’s Go! é o primeiro jogo da série, nesse formato tradicional de RPG, no Nintendo Switch. É algo que estávamos esperando ansiosamente e recebemos um material de extrema qualidade para dar o pontapé inicial no novo console. Temos um jogo com lindos gráficos e texturas que podemos levar para qualquer lugar graças à portabilidade do Switch. As animações dos golpes dentro das batalhas estão criativas e cheias de vida, deixando o ritmo mais frenético e intenso. Andar com um Pokémon atrás de você, além do seu inicial o tempo todo no seu ombro, deixa o companheirismo dos Pokémon mais evidente durante sua jornada (isso é algo que deveria ter acontecido em TODOS os jogos até agora, resta torcer para que nunca mais seja retirado). E poder usar os maiores como meio de transporte é só alegria na criatividade com que você interage com cada um deles.

E as cutscenes, mesmo que sendo bem poucas e pontuais, estão absurdamente caprichadas, deixando momentos que já conhecemos tão bem com muito mais vida.

Nós já recebemos indicações de que o jogo de 2019 será a 8ª geração, mas com a recriação de Kanto, e não Sinnoh, que era o próximo na linhagem dos remakes, fica imprevisível o caminho que a GameFreak e a Nintendo pretendem seguir nesse caminho de revisitar gerações anteriores. Mas uma coisa temos certeza: Let’s Go! tem tudo o que é necessário para trazer novos jogadores para a série, jogadores de Pokémon GO, e também sabe como pegar os jogadores mais antigos pela nostalgia, então se todas as gerações anteriores ganharem sua versão Let’s Go, seria mais do que bem vindo para continuar esse ensinamento aos novatos e oferecer um ar mais casual e descontraído aos veteranos.

Pokémon Let’s Go, Pikachu! e Pokémon Let’s Go, Eevee! são um caminho mais do que acertado para dar um reset na franquia, e oferece um ar de frescor para uma série que precisava muito de mudanças, e é interessante ver que essas mudanças aconteceram em mais um retorno a Kanto, em um jogo que, em um olhar superior, parece não oferecer nada de novo, mas é exatamente o fôlego extra que a franquia Pokémon precisava para seguir adiante.