REVIEW | POKÉMON SWORD & SHIELD te esperam em uma de suas melhores jornadas

Existe um carinho, um cuidado, um conforto ao se visitar cada nova região. E com Galar não é diferente.

Conseguir um visto para a região de Galar nunca foi tão problemático. Não consigo me lembrar de uma nova geração que sofreu tantas críticas antes de seu lançamento quanto Pokémon Sword e Pokémon Shield.

Mas basta jogar por alguns minutos para perceber que é exatamente isso que acontece com algo que as pessoas desconhecem. Infelizmente, na cultura atual da internet, é muito mais fácil criticar algo que você não possui informações suficiente, e se estão todos criticando, muitas outras pessoas vão entrar na mesma e levar as críticas adiante.

E desconhecer o que estava acontecendo em Pokémon Sword/Shield acabou se tornando uma constante, porque a The Pokémon Company simplesmente deixou os fãs no escuro até o lançamento dos jogos, revelando pouquíssimas informações, e criando uma campanha de marketing que, neste caso, acabou se voltando contra os jogos. Mas o material final fez tudo valer a pena.

BEM-VINDOS À REGIÃO DE GALAR

O jogo se passa na incrível Região de Galar. Inspirada na Inglaterra. E não estou exagerando ao chamá-la de incrível, porque é exatamente o que ela é. Um lugar como nunca se viu antes na série, que por mais que não arrisque tanto ao apostar nas tradicionais rotas que ligam uma cidade à outra, conferindo um lugar comum, um conforto ao jogador tradicional, não mediu esforços em proporcionar experiências e momentos de tirar o fôlego em suas paisagens, localidades, até mesmo nas próprias rotas que agora são maiores, mais complexas e cheias de paisagens gigantescas.

Mas o grande chamativo de toda a mudança de localização e perspectiva do jogo está nas cidades. Diversas em tamanho e temática, cada uma delas possui uma vida própria, uma personalidade que lhe conferem uma extrema singularidade perto do que já se havia visto durante todos esses 24 anos dos jogos Pokémon.

Tudo possui ar de grandioso em Sword/Shield, e isso não ficou restrito apenas aos Pokémon, com a inserção dos Dynamax e dos Gigantamax. Mas atingiu os ginásios, que agora são construções imensas que lembram estádios de futebol. Imponentes por fora, e ainda mais por dentro, exatamente para comportar as formas gigantes dos Pokémon durante as batalhas contra os líderes, e também porque agora cada um desses ginásios irá exigir uma espécie de teste do treinador que ousar se tornar o campeão de Galar. E só superando este teste, ele pode enfrentar o líder daquele ginásio.

Alguns dos desafios são bem simples, mas outros são criativos e revitalizam um sistema que, por mais que seja tradicional e gostoso de participar, já se encontrava cansado e calejado depois de tantos anos, e agora recebe uma cara nova, permitindo que jogadores de longa data se sintam em casa, mas com uma sensação gostosa de desconforto perante o inesperado.

BEM-VINDO AO UNIVERSO POKÉMON

Mas o que pode causar um grande estranhamento logo no começo do jogo, e com um pouco menos de intensidade no decorrer da aventura, é que seus encontros com Pokémon de gerações anteriores são muito mais frequentes do que com os novos que foram introduzidos nesta geração.

E por mais que existisse um mar de reclamações de que não veríamos todos os bichinhos criados até então, que muitos dos antigos ficaram de fora, não conseguiram o visto para viajar até Galar, entre outras coisas, o que mais queremos em uma geração nova é conhecer melhor os novos monstrinhos, mas acabou se tornando muito mais frequente reencontrar velhos amigos no caminho.

Isso não chega a ser algo ruim ou prejudicial, de forma alguma. Mas causa sim uma espécie de… desconforto inicial talvez seja o melhor termo. E é algo que você acaba se acostumando, porque você percebe que esse é o direcionamento. E faz parte de uma espécie de resgate ao material que já foi criado, uma homenagem para toda a série, a uma franquia que está presente em nossas vidas há tantos anos.

E esse resgate é tão importante e bem planejado pela GameFreak que basta prestar atenção no tipo final dos três iniciais e nos três primeiros ginásios do jogo para ver que estamos realmente diante de algo que, por mais que seja novo, é uma representação em sua forma mais pura de tudo o que essa série já apresentou. Pokémon Sword/Shield é uma das melhores experiências para se viver dentro da série.

BEM-VINDO A POKÉMON!!!

E para não dizer que a GameFreak nunca ouve o que os fãs querem, recebemos a Wild Area, que traz uma experiência de mundo aberto, que é algo que sempre está na ponta da língua na hora de se fazer um pedido sobre o jogo.

Uma região ampla onde você pode dar início às Max Raids, encontrar outros jogadores, encontrar diversos Pokémon de diversos níveis e diferentes regiões exploradas em jogos anteriores. Coletar frutas, participar de mini games, acampar, pescar, conhecer personagens, batalhar, fazer shiny hunt. É uma área que representa bem seu nome, totalmente selvagem e intocada no centro da Região de Galar. Preservada pela população do local para que os Pokémon possam viver livres e interagir com os treinadores que decidem explorar aquele local.

Por mais que você a encontre logo no começo do jogo, a Wild Area é o “pós-game” do jogo, porque lá é o lugar que você vai poder explorar durante e após sua aventura, por muito tempo, e vai encontrar muitos Pokémon que são impossíveis de capturar até que você termine sua aventura, criando desafios durante todo o decorrer da sua jornada, permitindo e favorecendo que você volte sempre a visitá-la, porque ela certamente terá algo de novo a te oferecer, após cada ginásio, após cada vitória.

UM MUNDO DE ALTOS E BAIXOS [LITERALMENTE]

Assim como as locações da Região de Galar, com suas montanhas, vales, planícies, repletas de subidas e descidas, o jogo também possui seus altos e baixos. E nem tudo são flores.

Trilha sonora sempre foi algo que deixou uma marca forte na série. As músicas criadas para o primeiro jogo foram levadas adiante e até hoje estão presentes com novos arranjos, criando uma sensação de nostalgia e identidade muito forte para as batalhas, as capturas, e até para os momentos de apreciação de cenários, passeios pelas rotas. E claro que o objetivo de cada jogo é enriquecer cada vez mais esse repertório. E isso Sword/Shield soube como fazer como nunca antes. As novas músicas sabem causar um impacto, e não tenho dúvida nenhuma que serão levadas adiante como parte importante da franquia. O grande destaque está, indiscutivelmente, na música de batalha de ginásio, especialmente quando o líder, cansado de apanhar para um novato magrelo, decide chamar seu Pokémon Dynamax/Gigantamax. É um momento único que traz um fôlego extra para a batalha.

E enquanto ouvimos boas músicas, lembramos o dia em que a Nintendo/GameFreak quase entenderam o conceito de amigos. O jogo possui um menu chamado Y-COMM, onde a principal comunicação local e online acontecem.

É completo, cheio de recursos, sendo o principal deles de “stalkear” as max raids e poder participar das incríveis batalhas Dynamax e Gigantamax ao lado de amigos, e ainda capturar alguns Pokémon de brinde, além de outros outros sistemas como trocas planejadas, trocas surpresas [capture muitos Pokémon repetidos para isso, vai ser bem útil], compartilhar seu trainer card, entre outras coisas. Mas mais uma vez eles esqueceram como funciona uma lista de amigos, esqueceram que muitos jogadores gostam de compartilhar suas experiências com seus amigos mais próximos, e simplesmente falharam na hora de facilitar o acesso à sua lista de contatos do Switch [que por si só, quase já não tem propósito] e você vai precisar de alguma forma de comunicação fora do jogo, além dos famosos códigos numéricos, para poder trocar algo de forma eficiente com alguém que você conhece/gosta.

Quem sabe no próximo jogo [ou no próximo console].

E mais uma vez, a sub-utilização dos botões deixa alguns sistemas datados e cansativos. Até quando vamos ter que apertar mais de 2 botões para acessar o mapa do jogo [que segue extremamente simplificado e confuso, já está na hora de algo mais robusto] quando cerca de 4 a 5 botões do Switch ficam totalmente sem utilização.

Em Let’s Go isso foi justificado, era um jogo para ser jogado com uma mão só, então pouquíssimos botões foram utilizados, mas estamos agora em uma aventura mais tradicional, e poder mapear coisas como o mapa, a Pokédex, e outros acessórios úteis para o toque de um simples botão faz-se necessário. É para um acesso rápido, de simples conferência. Abriu/fechou, segue o jogo.

SUPER POKÉMON

A inclusão dos Dynamax e Gigantamax são o grande atrativo do jogo de Galar. Assim como tivemos Megaevoluções, Z-Moves e outros recursos de jogos anteriores. Aqui temos Pokémon gigantes com Pokébolas gigantes e batalhas épicas e imensas, com músicas de tirar o fôlego. E toda a preguiça e descuido que pode aparecer aqui e ali são amplamente recompensadas com o cuidado que se teve ao criar os Super Pokémon.

Existe um carinho, um cuidado, um conforto ao se visitar cada nova região. E com Galar não é diferente. Tudo é novo. Mesmo o que é antigo, o que é reciclado, o que é recorrente, ainda é novo. Estamos vendo o nascimento de uma nova geração, e isso é o suficiente para que essa nova aventura possa valer a pena.

Pokémon Sword & Shield respira novidade, traz uma história interessante para a lore da série, apresenta uma série de novos monstrinhos que serão amados [outros odiados] pelos treinadores. Cria novos relacionamentos. Desenvolve muito bem seus personagens. E mais do que nunca, traz mais um companheiro/rival para nosso treinador que vamos amar odiar. Afinal de contas, o Hop é muito chato, mas importante.

Um jogo que vai atrair novos jogadores para série, e que vai envolver e abraçar os veteranos. Um jogo para se celebrar a chegada definitiva de Pokémon ao Nintendo Switch, de uma nova geração, de um futuro que sabemos que vai ser promissor no console híbrido da Nintendo.

Esta análise foi feita com a versão Pokémon Sword gentilmente cedida pela The Pokémon Company.

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