REVIEW | THE ISLE OF ARMOR expande o mundo de Pokémon Sword/Shield

A trama do jogo te leva até um Dojo, onde você, confundido com um aluno que fugiu, precisa treinar para se transformar em um aluno exemplar, e consequentemente no mestre do local.

A série Pokémon é famosa por se prender a algumas fórmulas e muitas vezes isso acaba não sendo benéfico para alguns jogos. Mecânicas que se desenvolvem mais lentamente do que o esperado, decisões de design que, em alguns casos, não parecem ter sido feitas com tudo o que o aparelho que está em evidência no momento pode fazer, entre outros detalhes que muitas das vezes não reflete o que poderia estar sendo feito naquele momento da indústria.

Mas em Pokémon Sword/Shield, a Game Freak, responsável pelo desenvolvimento dos jogos, decidiu se desapegar da mais antiga das tradições, a famigerada terceira versão, e trouxe a série para uma situação, um momento mais atual, os DLCs.

VIAJE PARA A ILHA DA ARMADURA

A primeira parte do pacote de expansão foi lançado no dia 17/06, com o nome de The Isle of Armor. E a nomenclatura desses DLCs é bem precisa, no caso. É uma expansão do jogo original, você ganha um ticket especial quando compra a DLC. e parte para uma ilha que, ao mesmo tempo em que é parte do mundo de Galar, parece um universo totalmente diferente, uma área muito mais viva, preservada de outra forma, dentro da mesma região.

A Ilha da Armadura chama a atenção aos olhos imediatamente assim que é acessada pelo jogador. Existe, obviamente, o mesmo sistema de matinhos, Pokémon escondidos, que te perseguem, que tentam engajar em batalhas com você assim que te avistam, e tudo mais. Mas tudo faz parte de um ecossistema muito mais coeso, talvez por ser mais condensado do que o mundo do jogo original.

Alguns Pokémon que foram adicionados no DLC se comportam de forma diferente do que o habitual, deixando o ambiente da ilha mais vivo e coerente, como o Wailord gigante, em tamanho real, que fica parada, apenas esperando para que você se distraia com sua beleza e entre acidentalmente em batalha com ela, ou o Sharpedo que decidiu não fazer o mesmo e te persegue implacavelmente assim que você decide colocar sua bicicleta no mar.

Muitos outros Pokémon se comportam com mais personalidade, criando um ambiente vivo, como seria mesmo um mundo povoado por Pokémon, diferente da bagunça randômica que é criada na wild area. Na verdade, a ilha é uma wild area muito melhor e mais bem desenvolvida do que a do jogo.

O sistema de gameplay é o mesmo, mais livre, com movimentação de câmera, com pouca limitação de rotas em alguns lugares, ao mesmo tempo em que tudo é mais fechado, mais conectado, criando áreas de acesso de um ponto a outro que são bem mais labirínticas, mas que funcionam para dar conectividade ao pequeno ambiente criado na ilha.

TORNE-SE O MESTRE DO DOJO

A trama do jogo te leva até um Dojo, onde você, confundido com um aluno que fugiu, precisa treinar para se transformar em um aluno exemplar, e consequentemente no mestre do local. Você será desafiado o tempo todo com tarefas a serem realizadas, e o objetivo máximo é conquistar uma das torres do local. Você deve escolher entre a Tower of Darkness e a Tower of Waters, e essa escolha será determinante na evolução do seu único companheiro nessa jornada, o adorável Pokémon lutador Kubfu.

Você deve escalar e conquistar uma dessas torres [e a partir do momento da escolha, a outra se torna indisponível] com a ajuda apenas de Kubfu, para se tornar o mestre Pokémon da Ilha da Armadura, e mostrar o poder da parceria entre um treinador e seu Pokémon.

POKÉMON PRECISA EVOLUIR

Não apenas os monstrinhos, mas a série como um todo. Como eu disse no começo, a série ainda se prende a algumas fórmulas antigas que acabam atrapalhando um pouco o gameplay. Por mais fluído e divertido que seja o gameplay da ilha, em um ambiente menor, alguns problemas estruturais ainda assombram o jogo, e aqui não é diferente.

A falta de um mapa com uma leitura melhor, que mostra sua localização em tempo real, a dificuldade que é imposta pela Game Freak para se acessar este mapa, a ausência de um mini mapa e informações cruciais do gameplay na tela, como a evolução da caçada aos 151 Diglets, por exemplo.

Pequenas coisas que podem melhorar e muito a qualidade de vida do jogador e o desempenho do jogo, para que ele se torne mais acessível e divertido, e não tenha que ficar preso a conceitos ultrapassados. A nostalgia dos jogos tradicionais não irá se perder, ainda existe a magia de Pokémon mesmo nos jogos mais modernos, mas já passou da hora de algumas fórmulas serem dissolvidas, e a série arriscar dar um passo completo pra frente.

No final das contas, os problemas não chegaram a atrapalhar nossa aventura por Pokémon Sword & Shield, e o mesmo aconteceu em The Isle of Armor. Muita coisa precisa mudar, urgentemente, mas quem se divertiu no jogo principal vai encontrar um refúgio na expansão. Vai sentir algo bom ao revisitar essa aventura, e ficar com um gosto de quero mais na boca enquanto espera a segunda parte, The Crown Tundra, que chega no final do ano, ainda sem data definida.

Falamos mais sobre a expansão no nosso Potinho 010, principalmente no cuidado em comprar a versão certa. Sempre lembrando que as expansões não podem ser adquiridas separadamente, apenas no pacote com as duas.

Esta análise foi feita com cópia gentilmente cedida pela The Pokémon Company.