REVIEW | STORIES UNTOLD te envolve em uma teia de mistérios

Vocês já pensaram em curtir um jogo episódico com fatos de arrepiar a espinha, puzzles que fazem você descobrir habilidades das quais você não tinha conhecimento, somado a uma narrativa experimental de aventura?

Vocês já pensaram em curtir um jogo episódico com fatos de arrepiar a espinha, puzzles que fazem você descobrir habilidades das quais você não tinha conhecimento, somado a uma narrativa experimental de aventura? Não? Então prepare-se para descobrir os mistérios por trás de Stories Untold. Um jogo desenvolvido pela No Code, escrito e dirigido por Jon McKellan (conhecido por seu trabalho em jogos como Alien: Isolation e Observation) e publicado pela Devolver Digital.

Stories Untold é um jogo que foi publicado em 2017 para PC com uma versão sendo lançada para o Nintendo Switch em janeiro de 2020. Um clássico jogo de Point-and-Click, onde você precisa interagir com os objetos que estão no seu campo de visão, a fim de desvendar os mistérios. O jogo propõe um fascinante exemplo de narrativa somado a puzzles que utilizam mecânicas diferentes em todos os episódios e que convergem de uma forma brilhante na resolução da história. Quando iniciamos o primeiro episódio, um vídeo de apresentação é mostrado e somos surpreendidos por uma temática dos anos 80. Algo bem retrô, somado a um visual vintage para retratar a época. Bem similar a uma série que tem feito grande sucesso (e que estamos ansiosos pela quarta temporada). Neste vídeo, somos apresentados a uma série de objetos que não imaginamos como e por que estão sendo mostrados, mas garanto que todos eles terão seu momento de brilhar durante a gameplay.

A história do jogo é dividida em quatro fitas VHS. No primeiro episódio, denominado como “A casa abandonada”, estamos sentados em frente a um computador que nos diz que nosso personagem está voltando para a casa de veraneio da sua família. Com isso, um bilhete deixado no porta-luvas do carro faz com que possamos dar andamento na história. No momento em que saímos do carro, somos guiados por comandos disponibilizados através de opções que o computador nos oferece. Desta forma, a cada ambiente que descobrimos, somos apresentados a uma breve descrição do local, fazendo com que a gente crie uma visualização mental bem clara da casa e das suas dependências.

O gameplay é um Text Based Adventure Game, falamos mais sobre no Potinho que foi ao ar hoje.

O mais impressionante deste capítulo é a ausência de informações, a forma como ele abraça o suspense e o mistério nos faz ficar vidrados ao desenrolar da história e aos acontecimentos, pois você percebe que eles estão ocorrendo, mesmo estando em um quarto de frente a um computador que nos descreve eventuais situações, somos capazes de perceber que as escolhas que tomamos pelo personagem que está sendo guiado se reflete no background, como se você estivesse guiando a história. A cada passo que avançamos na gameplay, descobrimos novas informações sobre o personagem. Um dos fatos mais assustadores é quando você passa a conferir o bilhete que você encontrou no carro, pois ele vai mudando à medida que você avança. A sensação é incrível, não se sabe o que esperar.

Na segunda fita, a história se passa em um laboratório, o nome do episódio é descrito como “A Conduta no Laboratório”. Desta vez, descobrimos o nome do nosso personagem, pois somos guiados por uma voz através do rádio e ele se refere a nós como Mr. Aition. Somos apresentados a um computador e a uma série de aparelhos, dentre estes podemos encontrar uma máquina de RX, um laser, um aparelho para indução de ondas, um cofre, uma TV, uma câmera e uma furadeira. De acordo com a voz do rádio, precisamos ler o manual que está no computador a fim de aprender a manusear os aparelhos e obter sucesso nos procedimentos.

Este episódio é marcado pelo interesse em descobrir o resultado do procedimento, mais uma vez o mistério e a agonia estão presentes de uma forma diferente, pois a cada sucesso obtido durante a gameplay, você percebe que algo extremamente estranho está acontecendo com o seu experimento. Ao se aproximar do final do episódio você começa a se questionar se sua conduta deveria realmente ter sido a de seguir as instruções que foram lhe passadas pelo rádio.

Na terceira fita, nos deparamos com uma situação completamente diferente das anteriores. Nosso personagem, denominado como James, se encontra em um contêiner no meio de uma estação de operações em algum lugar onde ocorre uma tempestade glacial. Ouvimos vozes através de um rádio que aparentam ser de pessoas conhecidas do personagem, pois elas têm algum conhecimento sobre você. Elas pedem ajuda para que possamos restaurar o sinal das outras estações. Nesse instante, precisamos começar a trabalhar para poder colocar os códigos no computador a fim de restabelecer a comunicação, mas para isso, precisamos alterar entre frequências e procurar os códigos corretos em uma máquina de microficha.

Esse episódio possui um nível de dificuldade um pouco maior, pois conseguir desvendar os códigos que estão na microficha a fim de serem inseridos no computador não é uma tarefa fácil. Até porque, dentre as imagens na microficha, existem algumas que possuem determinados tipos de informações que descrevem acontecimentos de episódios passados, então coisas que não faziam sentido começam a ter algum tipo de conexão. Nesse meio termo, entre códigos e conversas no rádio, recebemos uma mensagem de que algo de estranho está acontecendo na estação de um de nossos amigos, mensagens como “cuidado”, “eles estão chegando / a caminho” faz com que o nível de tensão se torne muito maior.

Então, quando estamos apenas esperando a verificação de outra estação, recebemos um alerta de que a comunicação entre elas foram cortadas e barulhos começam a ocorrer ao redor de nosso contêiner, somos puxados para fora por algo que não conseguimos ver, com isso o jogo que antes era um de Point-and-Click, se torna um jogo de primeira pessoa. Este acontecimento é surpreendente, pois não era algo que poderíamos imaginar que fosse ocorrer e então partimos para poder restaurar a comunicação entre as bases de operações. E quando conseguimos encontrar a estação para restabelecer a comunicação entre todas elas, o episódio termina assim como os anteriores, sem mais informações além das que conseguimos obter durante a gameplay e que de alguma forma agora começam a fazer algum sentido.

Na quarta e “A última sessão”, enquanto o trailer vintage está sendo reproduzido como em todas as outras vezes, ele é pausado de forma abrupta e ouvimos uma voz dizer que já devemos estar cansados de assistir isso várias vezes. Somos levados pela voz por corredores e desta vez percebemos que estamos em algum tipo de instituição que parece ser algo semelhante a um hospital. Assim como no terceiro episódio, temos a capacidade de ter dois tipos de gameplay diferentes, podendo alternar entre o Point-and-Click e momentos de exploração em primeira pessoa.

Durante o desenvolver e explicar da história, é revelado o nome do nosso personagem (não irei escrever para não dar spoiler) e ouvimos que estamos fazendo um progresso excelente, mas antes devemos fazer mais uma sessão de regressão para que possamos averiguar certos fatos que ficaram confusos. Desta maneira, voltamos alguns episódios e nos deparamos com alguns puzzles dos quais já havíamos resolvido. Porém, todos os desafios começam a fazer sentido, sem mencionar a facilidade com o qual você consegue resolver todos eles. Após resolvê-los, voltamos para o quarto ao qual tínhamos sido levados para fazer a regressão. Com a conclusão do quarto episódio, o sentimento que consegue descrever o fim do jogo é: choque.

Decidi não entrar em muitos detalhes para não estragar a experiência das pessoas que ainda pretendem jogar este jogo. Stories Untold não é um jogo de ação que possui lutas incríveis, com cutscenes grandiosas com demonstração de poder ou superação, mas ele sabe exatamente capturar a mente do jogador. É incrível como em todos os episódios você obtém pequenas informações desconexas que você não sabe onde colocá-las para que façam algum sentido, porém tudo se resume ao quarto episódio.

É um jogo que consegue o que se propõe usando o mínimo de informações possíveis. A forma como ele trabalha a construção da história do jogo através de puzzles que precisam de atenção e concentração para que você adquira informações é incrível, pois tudo está ali, só não faz sentido até que você conheça e entenda o último episódio. É como se todas as informações já estivessem em sua cabeça fossem peças de um quebra-cabeça que apenas estavam esperando para encontrar seu lugar.

Esta análise foi feita com código gentilmente cedido pela Devolver Digital.

Revisão: Angelo Mota