REVIEW | SUPER MARIO 3D WORLD + BOWSER’S FURY traz o clássico e o novo em um pacote completo

SM3DW nos apresenta a uma mistura que começou a ser desenvolvida em Super Mario Galaxy, ganhou força e consistência em Super Mario Galaxy 2, e se tornou um material completo e totalmente polido e funcional neste jogo.

Super Mario 3D World chegou ao seu lugar que é de direito. O jogo, criado no Wii U, não parecia muito convidativo quando foi anunciado. As expectativas eram altas depois do espetáculo de técnica e beleza que foi Super Mario Galaxy [1+2]. Mas assim que foi lançado, era claro como 3D World estava disposto a ser um dos melhores jogos da franquia, um dos melhores jogos do Wii U, um dos melhores jogos de plataforma já feitos, e agora um dos melhores jogos da vasta biblioteca do Nintendo Switch. E ele é. Ele faz por merecer esses títulos.

SM3DW nos apresenta a uma mistura que começou a ser desenvolvida em Super Mario Galaxy, ganhou força e consistência em Super Mario Galaxy 2, e se tornou um material completo e totalmente polido e funcional neste jogo: a jogabilidade do Mario 2D em um mundo 3D.


AS VÁRIAS DIMENSÕES DO BIGODUDO

O formato funciona melhor do que o esperado. Fases com mecânicas dos jogos 2D, focadas em coletar moedas, alguns itens espalhados pelos cenários, e chegar ao final pulando no topo do mastro, antes do tempo acabar. Mas em mundos construídos em 3D, limitados em largura na grande maioria dos casos, mas com movimentação livre para todos os lados, exploração aberta, que muitas vezes faz com que você se esqueça do tempo e acabe sendo surpreendido com o anúncio dos 99 segundos finais.

Além disso, o jogo é focado na importância dos power-ups, algo que acabou se tornando secundário nos Marios 3D, e por mais que exista em grande quantidade nos Galaxys, não são a base do jogo, muitos deles são temporários, e muitas das vezes você pode simplesmente andar pelas fases vestido apenas de “Mario”, sem se preocupar com os poderes. Em 3D World, os power-ups são a essência do seu sucesso nas fases. Abundantes, utilizados à exaustão, indispensáveis em momentos cruciais, permanentes até que você tome dano, e passam a sensação de que andar apenas de “Mario” te deixa vulnerável de alguma forma. Então seu objetivo vai sempre ser conseguir um power-up e mantê-lo pelo maior número de fases possível.


O MESMO MUNDO 3D… COM PEQUENAS MELHORIAS

Além de ser uma aventura grande, com vários mundos a serem explorados, fases diversas e temáticas, SM3DW também é um deleite para os colecionadores de plantão, porque além das três estrelas e do stamp de casa fase, o jogo ainda requer que todos os cinco personagens atinjam o topo do mastro de todas as fases para que você consiga 100% de sua aventura. Mario, Luigi, Peach, Toad e Rosalina vão ter muito trabalho.

No Switch, o jogo base não teve adições, apenas algumas melhorias de qualidade de gameplay. O multiplayer para até quatro pessoas, que transforma o gameplay em uma experiência caoticamente divertida, recebeu um modo online, para que você possa jogar com seus amigos à distância, uma vez que devemos ficar em casa e seguros o maior tempo possível. A conexão funciona bem contanto que todos os jogadores tenham uma internet veloz. Todos os testes feitos foram bem-sucedidos. E, claro, o multiplayer local continua. E por mais que existe o intuito de ajudar uns aos outros a chegar até o final da fase, o foco do modo de vários jogadores é mais de atrapalhar, intencionalmente ou não, e isso transforma o jogo de uma forma espetacular. É uma experiência totalmente diferente e muito divertida.

Além disso, eles fizeram um pequeno ajuste, que pode ter passado despercebido por jogadores distraídos, e por novos jogadores. No Wii U, todas as estrelas que você pegava antes de um checkpoint, se você morresse, perderia elas e teria que pegar de novo. No Switch, a partir do momento que pegou, ela é sua, e mesmo que você morra instantaneamente após isso, ela já consta como coletada, e assim você pode voltar à fase e seguir em frente sem se preocupar mais com ela.

Isso vale também para o stamp.


O MARIO QUE É TODOS OS MARIOS

Super Mario 3D World é uma linda homenagem à sua série. A uma franquia que permanece nova e fresca depois de mais de três décadas, sempre inovando a forma de se jogar plataforma, propondo coisas novas. E 3DW sabe como absorver o melhor de toda essa jornada, e criar um universo familiar para quem cresceu com as aventuras do herói do Mushroom Kingdom, ao mesmo tempo que possui uma identidade forte e única, capaz de distinguí-lo de todos os outros jogos.

E não estou falando apenas da música tema que não sai da cabeça. Mas também falando do tema que não sai da cabeça. As músicas do jogo são vivas, alegres, assim como quase toda a discografia do nosso herói. Temas marcantes que todos os jogadores vão ficar cantarolando por horas e dias após pararem de jogar, com um sorrisão no rosto.

Mas a grande identidade do jogo está no novo power-up: cat Mario. Um poder como nenhum outro, que te leva a alguns lugares antes inalcançáveis, te deixa poderoso perante inimigos que até então Mario não podia chegar perto [inimigos com espinhos? São medos do passado]. E é ele que vai emprestar sua vida para que o jogo tenha essa identidade. A mistura desse novo poder com um estilo artístico e uma escolha de gameplay que se difere dos outros jogos 3D, fazem com que 3D World seja seu próprio jogo.Ao mesmo tempo em que homenageia toda a série, principalmente a era 2D, faz com que ele seja SUPER MARIO 3D WORLD.


BOWSER NÃO GOSTOU DISSO

Enquanto o jogo base não recebeu adicionais, a Nintendo decidiu que o port de SM3DW para o Switch deveria vir com um jogo totalmente novo. E assim recebemos Bowser’s Fury. A nova aventura nos leva a um mundo paralelo ao Mushroom Kingdom que conhecemos no game principal. Nesse lugar, tudo o que existe foi afetado pelo power-up de sino, que transforma Mario em gato. Todos os inimigos, plantas, folhas, árvores, e até nuvens possuem orelhas de gato. E bowser, para não perder o costume, está criando o caos ali. Mas dessa vez ele está diferente, possuído por uma espécie de piche de maldade, que cobriu o mundo todo e o dominou, e ele fica dormente por algum tempo, consumindo essa energia de maldade, até acordar e despejar sua fúria em Mario e tudo o que encontra pelo caminho.

Seu aliado nessa aventura é Bowser Jr., que está preocupado com seu papai, e precisa que Mario o ajude a retirá-lo desse transe. Então os dois se aliam por um objetivo em comum.

Bowser’s Fury possui um multiplayer para duas pessoas, apenas local, em que um jogador controla Mario e o outro controla Bowser Jr. que fornece suporte eliminando inimigos e encontrando itens escondidos pelo cenário.


NOSTALGIA NA PONTA DO PINCEL

Enquanto 3DW homenageia seus antecessores 2D, Bowser’s Fury veio para fazer o mesmo aos jogos 3D. Sendo claramente uma continuação perdida de Super Mario Sunshine, com os assets de Super Mario Odyssey, e a jogabilidade de seus jogo base: Super Mario 3D World. Essa mistura funciona mais do que bem, e mostra que esse formato tem potencial para ser algo maior.

BF é composto por um mundo inteiriço, com áreas que vão sendo liberadas dentro daquele mesmo local. Algo novo na série que seria interessante ver em funcionamento em um jogo “completo”. Não que Bowser’s Fury não seja um jogo completo, mas ele é menor do que estamos acostumados.

A aventura completa de Mario e Bowser Jr. dura cerca de pouco mais de 6 horas. Nas três primeiras, você consegue pegar os 50 Sóis Felinos [o jogo possui Português de Portugal como idioma, e se você deixar o menu do seu Switch em PT-BR, ele já associa automaticamente, deixando os nomes de fácil leitura e muito familiares].

Estes novos shines, os sóis felinos, são os coletáveis do jogo, e eles iluminam o local, dando vida e eliminando a geléia de maldade que está espalhada, também espantando Bowser, que quando aparece deixa tudo escuro, uma mecânica familiar para quem jogou Super Mario Sunshine. 50 são necessários para chegar ao fim do jogo. 100 é o total do pós-game. Cerca de três horas para cada parte.

Não chega a ser um jogo curto, mas também não chega a ser um jogo completo como as outras jornadas do nosso herói. Parece um DLC de Odyssey, mas que foi parar em outro jogo. E a esperança é que tudo seja um grande teste para algo maior que a Nintendo esteja planejando no Switch.


DEPOIS DA TEMPESTADE VEM A CALMARIA… OU VICE-VERSA

Bowser’s Fury não é parte de 3D World, e a recíproca é verdadeira. Os dois jogos conversam entre si com seus elementos, mas existem individualmente dentro do mesmo cartucho. Cada um deles pode ser acessado logo que você abre o jogo, e você não precisa de uma aventura para acessar a outra. São dois jogos distintos, que funcionam de forma independente. Duas jornadas próprias, com identidades fortes, que passeiam pelo que existe de melhor na série Super Mario, enquanto criam seus próprio nomes, deixam suas marcas nessa franquia que aprendemos a amar há tantos anos, e até hoje é exemplo de como se faz videogame, e que outros 35 anos estejam à sua frente, sabendo que Super Mario 3D World + Bowser’s Fury serviu como um dos novos pilares para que isso aconteça.