REVIEW | TOKYO MIRAGE SESSIONS #FE ENCORE une ídolos e heróis para salvar o mundo

2020 teve Tokyo Mirage Sessions #FE Encore como seu jogo de estreia, trazendo de volta o divertido mundo dos ídolos japoneses para o console hídrido da Nintendo.

De todos os ports possíveis de jogos do Wii U para o Nintendo Switch, a mistura entre Shin Megami Tensei e Fire Emblem talvez fosse a mais improvável de acontecer, mas ainda assim, 2020 teve Tokyo Mirage Sessions #FE Encore como seu jogo de estreia, trazendo de volta o divertido mundo dos ídolos japoneses para o console hídrido da Nintendo.

Tokyo segue as aventuras de Tsubasa Oribe, Itsuki Aoi e Touma Akagi em busca de se tornarem ídolos da música no Japão, enquanto tentam salvar o mundo de ameaças malígnas que querem possuir e destruir a humanidade. O importante é saber balancear suas prioridades.

A história começa cinco anos antes dos eventos principais do jogo, quando durante uma apresentação em um teatro, diversas pessoas de Tóquio desaparecem misteriosamente, incluindo a irmã de Tsubasa. Os anos se passaram e ela nunca superou a perda da irmã, e quando eventos estranhos começam a acontecer novamente, ela sente que pode haver alguma ligação, e é recrutada pela líder da empresa Fortuna, Maiko Shimazaki, para investigar os eventos, e quem sabe reencontrar sua irmã.

Fortuna é uma empresa de caça-talentos, e Tsubasa e Itsuki são recrutados como heróis e ídolos, tendo que balancear seus talentos como lutadores com seus dotes de cantores, para derrotar o mau. Sim, a música é parte importante e crucial no jogo, inclusive como ferramenta de combate. Quando maior o nível do personagem como ídolo, maiores as possibilidades de ele possuir um golpe especial, aumentando suas chances de derrotar os inimigos.

Os personagens acabam se juntando com Mirages, que são algo como espíritos, que não sabem exatamente o que aconteceu com eles, mas eles sabem que estão do lado do bem e estão ali para ajudar, e acabam criando sua própria quest para descobrir suas origens e entender exatamente como eles chegaram ali. Os Mirages são personagens de Fire Emblem, deixando a mistura ainda mais interessante.

JOGOS DA ATLUS NÃO SÃO PARA INICIANTES

E eu sou um deles. A falta de costume em batalhas de turno nos JRPGs que me acostumei a jogar [Tales of e Xenoblade Chronicles] me deixaram com uma ausência de familiaridade com o sistema de TMS, por mais que muitos elementos permeiem todas essas experiências por ser inerente do gênero.

Mas existe um abismo de aprendizado quando as batalhas se apresentam em formato de tuno, e experiências anteriores podem contar a favor do jogador para estudar e entender o funcionamento de cada golpe, para um resultado bem sucedido no final.

O que acontece, no final das contas, é que Tokyo é um jogo que exige do jogador mais do que ele oferece gradualmente. Explicando: Os inimigos que você encontra no caminho durante uma dungeon não são o suficiente para te deixar apto a derrotar o chefe daquele local [aqui, as dungeons são chamadas de Idolasphere]. Todo o nível que você adquire derrotando esses inimigos não irá te preparar exatamente para a batalha final, então você precisará gastar um tempo extra upando, adquirindo alguns níveis extras, para que sua batalha aconteça a seu favor.

Existe a possibilidade de você chegar em um inimigo e ele dizimar toda a sua party em apenas um golpe.

Mas apenas o nível não será suficiente para te salvar nesse momento, é necessário fazer armas mais fortes e estudar suas fraquezas e resistências, equipar itens que aumentam sua força, e habilitar recursos especiais para todos os personagens dentro e fora da party, que reforçam alguns pré-requisitos já existentes, como cura mais eficiente, ser o primeiro a atacar em algumas batalhas, aumentar o poder de alguns golpes, entre outras coisas.

ESTILO PURO

O estilo visual do jogo é um de seus maiores atrativos, e casa perfeitamente com a energia que os personagens e as batalhas passam. Repleto de cores e cheio de vida, Tokyo traz um design caprichado que ajuda a contar a história de cada um daqueles aspirantes a ídolos, desde a vestimenta até o modo de agir, existe vida e personalidade em cada canto daquele mundo.

O conceito e a cultura dos ídolos teens, do JPOP, do sonho de se tornar conhecido na adolescência e arrastar multidões por onde passa é o que move esse jogo, e por mais que não seja uma área que não atraia todos os jogadores, existe um carisma e um apego aos personagens, que faz com que o jogo consiga cativar mesmo os mais céticos. É difícil não se apaixonar por Tsubasa e seus amigos.

Infelizmente o jogo não saiu ileso da sexualização exagerada que permeia essas obras japonesas, mas a versão ocidental sofreu uma censura pesada, fazendo com que o material que chegou por aqui se tornasse muito mais amigável, ainda que aqui e ali ainda existam traços dessa cultura do sexo no material de entretenimento japonês, não é tão gritante como aconteceu em Xenoblade Chronicles 2, por exemplo.

SHIN MEGAMI TENSEI x FIRE EMBLEM

Fazendo uma fusão incrível das estéticas e técnicas de batalha tanto de Shin Megami Tensei quanto de Fire Emblem, Tokyo sabe como extrair o melhor da nostalgia das duas séries, cativando assim seus fãs, ao mesmo tempo em que consegue ter uma identidade muito própria, uma individualidade que muitas vezes nos faz esquecer que estamos diante de personagens tão clássicos e icônicos de FE, e que ali eles são apenas os seus Mirages.

Único em seus jeito de ser e com suas cores vivas e berrantes, Tokyo Mirage Sessions era um título indispensável no Wii U para fãs e entusiastas de um bom RPG, e veio cumprir a mesma missão no Nintendo Switch, com a versão Encore. Um jogo que precisa ser jogado, e, ao contrário da maioria de seus irmãos de gênero, não vai te prender por mais de 100 horas. O jogo é relativamente curto e sabe cumprir seu papel com o que lhe foi proposto. Um jogo de peso em uma biblioteca que já é muito rica, e que sabe bem representar seu papel.

Esta análise foi feita com código gentilmente cedido pela Nintendo.