VELHA GUARDA NINTENDO | Revenge of the ‘Gator

Lançado em 1989 no Japão e 1990 nos Estados Unidos e Europa, o título foi desenvolvido e publicado pela brilhante HAL Laboratory.

Era algum mês de 1992, eu estava com oito anos e começava a jornada de dormir na casa dos amiguinhos. Garantindo sempre algum jantar bacaninha das mães, jogatina de games, e muitas risadas.

Lembro muito bem de ter ido passar o fim de semana na casa de um amigo de família japonesa. O pai morava no Japão e sempre enviava uns itens legais como o multi-tap do Bomberman do SNES ou um Game Boy cheio de cartuchos. Certa vez, notei como a mãe desse amiguinho curtia jogar o portátil. Ela sempre estava fumando um cigarro e curtindo um Tetris de tarde, isso antes de garantir aquela coxinha caseira inesquecível. Um dia, ela perguntou se eu queria jogar. Eu jamais havia jogado um Game Boy previamente, e logo fui animado conhecer. Eram muitos cartuchos, mas um me chamou a atenção de cara: um pinball com um jacarezinho simpático. A partir daí, me apaixonei por Revenge of the ‘Gator.

Lançado em 1989 no Japão e 1990 nos Estados Unidos e Europa, o título foi desenvolvido e publicado pela brilhante HAL Laboratory. Aqui não há uma história, o único objetivo do jogador é o de fazer o máximo de pontos possíveis. Há uma única mesa com três áreas bônus. A jogabilidade funciona como qualquer outro game de pinball, em especial da época: use os botões para mover os flippers e impedir que a bola caia na boca do jacarezinho simpático. Toda a temática é em torno do réptil. As áreas bônus, por exemplo, oferecem brincadeiras de tentar derrubar o protagonista, quebrar ovos para liberar jacarés filhotes, e até acertar a cabeça do animal como naqueles jogos de “martelada” dos arcades.

Tecnicamente, Revenge of the ‘Gator não é nada incrível, mas cumpre muito bem o seu trabalho no portátil 8bit da Big N. Por ter sido lançado antes da versão colorida do Game Boy, o jogo é totalmente monocromático. Por outro lado, há uma enorme personalidade na mesa, desde os jacarezinhos pelo cenário, aos detalhes dos flippers e obstáculos. A música também não fica atrás, é um ótimo trabalho de Hiroaki Suga que realizou trabalhos na área de som em outros games como Adventures of Lolo e Wario’s Woods.

Outro belo fator da qualidade do título é a opção de jogatina para dois jogadores chamada de “Match Play A/Match Play B”. Usando o cabo link do Game Boy, duas pessoas podem se enfrentar batendo e rebatendo a bolinha até que um deles passe pelos flippers. É uma jogatina muito divertida, que me rendeu horas de diversão, algo pouco visto em títulos do gênero.

Muitos jogadores velhacos já devem, em algum momento de sua jornada, ter encontrado esse simpático joguinho em algum cartucho por aí. Pode ser que tenha passado despercebido, mas se alguma chance foi dada, garanto que belos momentos vieram logo atrás. Em 2013, a Nintendo colocou Revenge of the ‘Gator no Virtual Console do 3DS, mas o multiplayer está desativado nessa versão. De qualquer forma, em tempos onde os games parecem exigir uma dedicação cada vez maior de tempo por parte dos gamers, é sempre bacaninha ver como a simplicidade pode ser extremamente divertida.

Ah! Que saudades daquelas coxinhas…


Revisão: Angelo Mota